Magna Concursos
2861798 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: DAE-Bauru

Na política, a verdade e a mentira, exatamente como as taxas de juros futuros, são cotadas diariamente a partir de fatos e interpretações. E assim são compradas e consumidas. O processo é histórico. A política desde sempre é preparada como uma refeição cujos ingredientes transformam o prato a ser servido à opinião pública em uma espécie de feijoada de factoides — composta de verdades, mentiras, mentiras sinceras e meias verdades.

Nem sempre, contudo, ganha a melhor feijoada. Isso porque o júri tem padrões de julgamento carregados de preconceitos e de expectativas que norteiam o seu veredicto sobre o que lhe é servido. Tampouco a verdade leva vantagem nessa história, já que ninguém aguenta tantas verdades.

A mentira tem o papel sociológico de conter conflitos e evitar certas situações. Ou, como disse Nietzsche, a mentira é uma necessidade para que possamos viver e superar as dificuldades apresentadas pela realidade. E, como disse T.S. Eliot, a humanidade não suporta tantas realidades.

No preparo da política e na expressão de seus resultados, os preconceitos existentes são ressaltados ou minimizados de acordo com a cotação do momento das verdades e das mentiras. Na imprensa, tal fenômeno é conhecido como agendamento e enquadramento – escolhemos o que queremos falar e como falar. Na política é a mesma coisa. E também como cidadãos queremos ouvir o que gostaríamos de ouvir e da maneira que nos apetece.

(Murillo de Aragão, De fatos e ficção – o papel da verdade, das meias verdades e da mentira. Veja, 15.06.2022)

A alternativa que reescreve, nos colchetes, a passagem do texto de acordo com a norma-padrão de regência e emprego do sinal indicativo de crase é:

 

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