Magna Concursos
1736816 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: IF-MT
Orgão: IF-MT

INSTRUÇÃO:

Leia atentamente o texto abaixo

para responder as questões 32 e 33.


O menino que carregava

água na peneira


Tenho um livro sobre águas e meninos.

Gostei mais de um menino

que carregava água na peneira.


A mãe disse que carregar água na peneira

era o mesmo que roubar um vento e sair

correndo com ele para mostrar aos irmãos.


A mãe disse que era o mesmo que

catar espinhos na água

O mesmo que criar peixes no bolso.


O menino era ligado em despropósitos.

Quis montar os alicerces de uma casa sobre

orvalhos.

A mãe reparou que o menino

gostava mais do vazio

do que do cheio.

Falava que os vazios são maiores

e até infinitos.


Com o tempo aquele menino

que era cismado e esquisito

Porque gostava de carregar água na peneira


Com o tempo descobriu que escrever seria

o mesmo que carregar água na peneira.


No escrever o menino viu

que era capaz de ser

noviça, monge ou mendigo

ao mesmo tempo.


O menino aprendeu a usar as palavras.

Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.

E começou a fazer peraltagens.


Foi capaz de interromper o voo de um pássaro

botando ponto final na frase.


Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva

nela.


O menino fazia prodígios.

Até fez uma pedra dar flor!

A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:

Meu filho você vai ser poeta.

Você vai carregar água na peneira a vida toda.


Você vai encher os

vazios com as suas

peraltagens

e algumas pessoas

vão te amar por seus

despropósitos.


(Manoel de Barros, Poesia Completa, Ed Leya, 2010, 469-47

I. Em “O menino era ligado em despropósitos/ Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos” dá ideia de que no fazer poético o artista deve pautar-se, antes de tudo, pela coerência e concretude de propósitos.

II. No trecho “Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito/Porque gostava de carregar água na peneira/Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira.”, o termo sublinhado pode ser substituído pela conjunção coordenada adversativa “mas” sem alterar o sentido da frase.

III. A conjunção “o mesmo que” (versos 05 e 07) retoma a expressão “carregava água na peneira” (verso 03).

IV. Da leitura atenta do poema, pode-se dizer que o poeta é aquele que tematiza situações incomuns, tornando-as lógicas e que trata da inventividade como forma de dominar fatos da vida.

Das afirmativas acima, aquela(s) que NÃO corresponde(m) aos recursos expressivos utilizados pelo autor do texto é (são):

 

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