“O racismo no Brasil se caracteriza pela covardia. Ele não se assume; por isso, não tem culpa, nem autocrítica.”
Abdias do Nascimento

Pierre Verger. Carnaval, Afoxé Filhos de Ghandi. 1959. Fotografia, 40 x 30 cm. Fundação Pierre Verger, Salvador.
A aventura civilizatória brasileira, no terreno fértil das crenças, é fortemente marcada pelo catolicismo ibérico. É também frequentemente dinamizada, reinventada, particularizada pela circulação de informações e crenças ameríndias das múltiplas Áfricas e das outras Europas que se encontram no extremo Ocidente para inventar o Brasil. Desenvolveram-se aqui celebrações profundamente sincréticas. O sincretismo, afinal, é fenômeno de mão dupla. Pode ser entendido como estratégia de resistência e controle — com variável complexa de nuances — e também como fenômeno de fé. A incorporação de deuses e crenças do outro é vista por muitos povos como acréscimo — e não diluição — de força vital. As festas católicas normalmente transitam em torno dos eventos da vida, da paixão e da ressurreição de Jesus Cristo; do culto aos santos e beatos e da adoração da Virgem Maria. Por sua vez, os fundamentos das celebrações indígenas e africanas festejam a força da ancestralidade e a divinização da natureza. Da interseção desses fundamentos e da circulação das culturas que o tempo todo se interinfluenciam, surgiram os nossos modos de celebrar o mistério: a fé é festa.
Luiz Antonio Simas. Almanaque brasilidades: um inventário do Brasil popular. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2018 (com adaptações).
Com relação às ideias apresentadas, assinale a opção correta.