O escritor Graciliano Ramos, em seu livro autobiográfico Infância, lembra que se alfabetizou através da carta do ABC em que primeiro aprendeu todas as letras para, só no final da carta, ter contato com os primeiros textos – alguns provérbios que, embora soubesse decodificá-los, desconhecia seus significados:
Respirei, meti-me na soletração, guiado por Mocinha. Gaguejei sílabas um mês. No fim da carta elas se reuniam, formavam sentenças graves, arrevesadas, que me atordoavam. Eu não lia direito, mas, arfando penosamente, conseguia mastigar os conceitos sisudos: “A preguiça é a chave da pobreza – Quem não ouve conselhos raras vezes acerta – Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém. Esse Terteão para mim era um homem, e não pude saber que fazia ele na página final da carta. – Mocinha, quem é Terteão? Mocinha estranhou a pergunta. Não havia pensado que Terteão fosse homem. Talvez fosse. Mocinha confessou honestamente que não conhecia Terteão. E eu fiquei triste, remoendo a promessa de meu pai, aguardando novas decepções. (Graciliano Ramos. Infância, 1945).
Assim, o escritor chegou no final da Carta do ABC sabendo “decodificar” bem as palavras, mas não conseguia entender o que estava lendo. E, para surpresa dele, nem a sua professora compreendia o que lia. O relato do escritor evidencia um processo de alfabetização mecânico, distante das práticas de letramento. Analise as proposições e coloque V para as verdadeiras e F para as falsas, em relação aos conceitos de alfabetização e letramento.
( ) Alfabetizar corresponde à ação de ensinar as habilidades de codificação e decodificação.
( ) De acordo com o dicionário Houaiss (2001), o termo letramento diz respeito a um conjunto de práticas que denotam a capacidade de uso de diferentes tipos de material escrito.
( ) No Brasil, o termo “letramento” não substituiu a palavra alfabetização, mas aparece associada a ela.
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