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2545324 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: BM-RS
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.

Educação pode (mesmo) aplacar a violência

Por Valéria Bretas

Destinar mais recursos à educação é o caminho certo para a redução da taxa de homicídios: é o que diz a análise do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) divulgada recentemente, segundo a qual, para cada 1% a mais de jovens entre 15 e 17 anos nas escolas, há uma diminuição de 2% na taxa de pessoas assassinadas nos municípios brasileiros. “Segundo as nossas estimativas, a probabilidade de um indivíduo com até sete anos de estudo ser assassinado, no Brasil, é 15,9 vezes maior de outro indivíduo que tenha ingressado na universidade, o que mostra que a educação é um verdadeiro escudo contra os homicídios no Brasil”, afirma o responsável pelo estudo, Daniel Cerqueira, doutor pela PUC-Rio e técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA.

De acordo com o pesquisador, há teorias e evidências empíricas internacionais que mostram que o impulso ao crime não é uma constante na vida do indivíduo, mas segue um ciclo que se inicia aos 13 anos, atinge um ápice entre 18 e 20 anos e termina aos 30 anos. “No Brasil, além da questão da juventude, os indivíduos que sofrem e que cometem homicídio têm baixa escolaridade (não completaram sequer o ensino fundamental) e são moradores das periferias ou de comunidades pobres nas grandes cidades. São jovens cuja infância foi marcada por um aprendizado de violência doméstica e, fora de casa, aprenderam na pele que os direitos de cidadania são para poucos. Eles enxergam no crime aquilo que dificilmente conseguiriam de outra forma: bens materiais, respeito e status social”, diz Cerqueira. Para ele, a melhora na qualidade dos serviços educacionais pode evitar que estudantes já matriculados abandonem a escola. Por consequência, isso reduz a necessidade de o jovem se envolver em crimes, já que, com muitas portas fechadas – na família, no convívio social, na escola e no mercado de trabalho –, a única porta aberta será o mercado do crime, com a possibilidade de retornos financeiros e simbólicos rápidos.

No entanto, apesar de o Brasil ser uma das nações que mais direcionam recursos para a educação, o país ainda patina quando se leva em conta o gasto por aluno da educação básica. De acordo com o relatório 2015 da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil gastou cerca de 3,4 mil dólares anuais por aluno da rede de educação básica. Enquanto isso, a média global ultrapassa os 9,3 mil dólares por estudante dos anos iniciais. O técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA explica que o gasto público com educação básica, por aluno, é equivalente a 1/4 do valor investido no ensino superior em nosso país. “Ou seja, o Estado brasileiro gasta muito com educação, mas não é para o ensino básico e não é para os pobres”, diz Cerqueira. Além disso, segundo ele, o que o país faz, hoje, é oferecer uma escola (pública) que não motiva, não estimula e não conquista as mentes e os corações dos jovens. “São verdadeiras linhas de produção, que procuram incutir na memória das crianças e jovens um incrível conjunto de informações enciclopédicas, que não dizem nada e não reconhecem suas trajetórias individuais e sociais”, diz o especialista.

Na visão de Cerqueira, é importante que se diga que a escola convencional, ainda que seja totalmente reformulada e aprimorada, não atingirá um determinado grupo de jovens. Afinal, são indivíduos que já trilharam outra trajetória, apartada desse ambiente escolar tradicional. “São jovens que tiveram problemas comportamentais e socioemocionais na primeira infância, que terminaram, inclusive, enveredando no caminho das transgressões e dos crimes. Para esses jovens, modelos alternativos têm que ser oferecidos”, sentencia o especialista.

Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:

https://exame.abril.com.br/brasil/educacao-pode-mesmo-aplacar-a-violencia-veja-como/

Assinale a alternativa em que aparecem palavras, todas retiradas do texto, que têm o mesmo número de letras e de fonemas.

 

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