Texto para questões 11 a 13.
Da democracia
Não é bom que o que faz as leis as execute, nem que o corpo do povo desvie a sua atenção dos objetivos gerais, para concentrá-la nos objetos particulares. Nada é mais perigoso do que a influência dos interesses privados nos negócios públicos; e o abuso das leis pelo governo é um mal menor do que a corrupção do legislador, consequência infalível dos alvos particulares. Então, se modificado o Estado em sua substância, qualquer reforma se torna impossível. Um povo que não abusasse jamais do governo, não abusaria mais da independência; um povo que sempre governasse bem não teria necessidade de ser governado.
Se se tomar o termo no rigor da acepção, jamais existiu verdadeira democracia, e jamais existirá. É contrário à ordem natural que o grande número governe e que o pequeno seja governado. Não se pode imaginar que o povo fique incessantemente reunido para cuidar dos negócios públicos; e vê-se facilmente que não poderia ele estabelecer comissões para isso sem que se mude a forma da administração.
(...)
Se houvesse um povo de deuses, ele se governaria democraticamente. Tão perfeito governo não convém aos homens.
ROUSSEAU, J. J. Do contrato social.
O trecho Do contrato social aborda a opinião de Rousseau, filósofo político que viveu na época do Iluminismo, acerca da democracia. A alternativa que melhor sumariza o trecho acima se encontra na letra: