Texto II
Qualquer debate sobre o fechamento ou não de escolas com menos de 50 alunos — ou de 40, 20 ou 10 — precisa começar pela difícil tarefa de separar a paixão da razão. Fechar escolas é impopular, triste, assustador, aparentemente contraditório com a prioridade à educação, que qualquer governo tem de dar. Mas, às vezes, isso é necessário, até para qualificar a educação. Por mais legítimas que sejam as preocupações das comunidades que têm escolas ameaçadas de fechamento, não dá para fugir de uma avaliação serena da conveniência de manter uma estrutura funcionando de forma precária ou transferir os poucos alunos para outra instituição.
Não se trata só de pensar em dinheiro, mas de racionalização do uso dos recursos e de como se pode oferecer ensino de qualidade.
Nos últimos anos, dezenas de escolas foram fechadas no interior de estados, por escassez de alunos. A esse processo deu-se o nome de nucleação. O objetivo era evitar que crianças de quatro séries diferentes estudassem na mesma sala, com professora única tendo de se multiplicar para ministrar conteúdos distintos. Transferidas para escolas maiores, crianças que até então só conheciam giz e quadro-negro passaram a conviver com bibliotecas, laboratórios e recursos audiovisuais.
Não é o fechamento de uma escola de três ou quatro alunos que produz o êxodo rural. Foram as migrações e a (saudável) redução do número de filhos por família que provocaram o fechamento de dezenas de escolas nos últimos anos. O que o poder público precisa garantir é transporte para que essas crianças freqüentem a escola mais próxima.
Para evitar o êxodo, é necessário muito mais do que negar às crianças do campo o contato com os colegas da cidade.
Políticas públicas que tornem atrativa a agricultura familiar e programas para levar energia aos confins do estado podem ser muito mais eficazes.
Rosane de Oliveira. Fechar escolas. In: Zero Hora, 23/1/2005, p. 10 (com adaptações).
Com relação ao texto, julgue o item subseqüente.
Se, no texto, a expressão utilizada fosse à crianças do campo no lugar de “às crianças do campo”, a crase estaria sendo empregada incorretamente, uma vez que, nessa hipótese, o “a” que antecede o substantivo é apenas uma preposição.