Na noite de 30 de março de 1964, o presidente João Goulart deveria discursar para um auditório de suboficiais e sargentos das Forças Armadas. O deputado Tancredo Neves tentava convencê-lo a não ir à reunião, sob o argumento de que a presença de Jango jogaria mais lenha na crise militar que o país atravessava. Tancredo tinha a amarga experiência adquirida como ministro da Justiça na crise de agosto de 1954.
Goulart tinha 45 anos e fora abatido duas vezes por pronunciamentos militares. Em fevereiro de 1954, um manifesto de coronéis tirara-o do Ministério do Trabalho. Em 1961, era o vice de Jânio Quadros e viu-se vetado pelos ministros militares. Só assumiria a presidência depois de uma crise em que o país esteve perto de uma guerra civil.
Elio Gaspari. A ditadura envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 45-6 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a história brasileira pós-Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), julgue o item seguinte.
No quadro de quase guerra civil em 1961, a que o texto se refere, sobressaiu-se a figura do governador gaúcho Leonel Brizola, o qual, distribuindo armas à população, mostrou-se, por meio de rede radiofônica, decidido a fazer cumprir a Constituição, que determinava a posse do vice-presidente João Goulart em substituição a Jânio Quadros.