Uma das teorias da presença dos filmes no cotidiano, a do estudioso americano Neal Gabler, defende que a própria vida se transformou em um filme. Ele constata que as pessoas vivem cada vez mais em um mundo no qual a fantasia tomou conta da vida, sendo mais real que a realidade. Gabler acredita que o cinema de entretenimento é um rearranjo dos nossos problemas em narrativas concisas, que os suavizam e dispersam pela periferia de nossa atenção, onde podemos esquecê-los.
Com a contribuição da televisão, o escapismo tomou conta do cotidiano: a vida passou a ser exposta o tempo todo na tela. As pessoas começaram, então, a enxergar seus próprios enredos como se fossem as protagonistas de um filme. Em resumo, a vida se tornou outro veículo de entretenimento. “Um dia inteiro de vida é como um dia inteiro de televisão” diz Gabler, que recorre a Andy Warhol para explicar-se. “Depois que começa, a televisão não sai mais do ar, nem eu tampouco. No fim do dia, o dia inteiro será um filme. Um filme feito para a televisão”, disse o artista americano.
Patrícia Cornils. Muito além da sala escura. In: Continuum
– Itaú Cultural. 16/11/2008, p. 6 (com adaptações).
Com relação ao texto acima, julgue o próximo item.
O final do primeiro parágrafo do texto permite inferir a seguinte relação de explicação, escrita de acordo com as regras gramaticais: podemos esquecer os nossos problemas, pois eles são suavizados e deixam de ser foco de nossa atenção em narrativas concisas.