Magna Concursos
2547564 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: UEG
Orgão: Pref. Iporá-GO
Uma pergunta que ouço com frequência é: “Você acha que os jovens estão prontos para fazer um mundo melhor?” Detesto quando me perguntam isso. Já disse antes, e reitero, que não confio em quem diz querer construir um mundo melhor, mas aqui a coisa vai mais longe.
Vou responder para você diretamente se os jovens estão prontos para fazer um mundo melhor. E, adianto, a suspeita de que minha “amostra” é viciada é uma suspeita, ela sim, viciada. O universo de jovens com quem converso hoje vai além da sala de aula imediata, devido às redes sociais, principalmente. Várias classes sociais. E mais: não precisa ser um gênio para saber o que ocupa as mentes dos mais jovens nesse mundo sem Deus em que vivemos.
Não, os jovens não estão preparados para fazer um mundo melhor. Nenhum jovem nunca esteve. Essa ideia é um fetiche de alguns poucos jovens dos anos 1960 e adjacências. Ou de artistas que fazem desse fetiche seu mercado de consumo.
Os jovens estão com medo, e com razão. Querem estágios, mas, cada vez mais, as empresas querem que eles trabalhem de graça ou, as mais “descoladas”, que eles (quase) paguem para estagiar nelas. A ideia é que eles estariam ganhando experiência e a chance, divina, de conviver com profissionais superbacanas.
Os jovens estão com medo, e com razão. Olham para o mercado de trabalho e sabem o que os espera, à medida que o capitalismo se faz chinês. Hoje você tem emprego, amanhã quem sabe. Os horários são flexíveis. Que legal! Trabalhe o tempo todo, 24/7 (24 horas por dia), via WhatsApp, Facebook, o diabo a quatro.
Os jovens estão com medo, e com razão. Não se pode confiar em vínculos afetivos duradouros. O egoísmo é a grande revolução moral moderna. Quase todo mundo é instrumental (termo chique para interesseiro). As pessoas não confiam umas nas outras porque estão mais “críticas”. Todo mundo quer serviços e direitos. Generosidade é um termo desconhecido no mundo em que os jovens habitam.
Os elementos naturais desse mundo são a demanda, a exigência, o ressentimento e a raiva. Além, claro, da intolerância para qualquer coisa fora da “cartilha do bem” que enfiam goela abaixo desses jovens nas escolas, que são mais igrejas do que outra coisa.
Os jovens estão com medo, e com razão. Olham para os mais velhos e veem um bando de gente imatura fingindo que tem 25 anos mentais. O culto do retardamento mental como forma de autonomia.
E quem adora atormentar esses coitados, cobrando deles o que é impossível entregar? Gente chata que acha que fracassou na vida e, por isso, vive sonhando com um mundo melhor, em que ele ou ela pudesse ter a felicidade que não conseguiu ter na sua vida, que já passou em alguma medida. Falam coisas como “ensinar aos jovens amar e respeitar a todos”, como se todo mundo de fato “merecesse” ser amado no mundo.
O ódio, o desencanto, a desesperança têm seu lugar no panteão de reações possíveis na vida. E você não é, necessariamente, um fracassado porque se ressente de ter sido derrotado pela máquina do mundo. A máquina do mundo tritura esperanças, projetos e corpos a cada dia mais e de modo mais veloz.
Essa velocidade é, exatamente, o que os jovens sentem na pele. Correm como podem atrás de uma promessa que jamais acontecerá: a realização da tal vida equilibrada entre “valores” que transcendem o mundo material e as escandalosas provas evidentes de que serão julgados pelos critérios mais cruéis que regem qualquer alma que vise ao lucro.
PONDÉ, Luiz Felipe. Deixemos os jovens em paz. O Popular. Goiânia, 11 set. 2017. p. 3. (Adaptado).
Em “Uma pergunta que ouço com frequência...”, o termo destacado exerce a mesma função sintática que:
 

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