Indústria de brinquedos insiste em separar meninos e meninas
“Oi, você poderia me dar indicações de brinquedos para meninas?”, diz uma mãe, num diálogo hipotético com a atendente de uma grande loja de brinquedos. Do outro lado do balcão, a atendente não hesita em apontar: “a Baby tem saído bastante”. A mãe: “e para meninos?”; outra resposta rápida: “temos Lego, dinossauros e super-heróis”.
Enquanto as garotas cuidam de mais uma boneca bebê, os garotos brincam com as montagens criativas e os universos fantásticos dos personagens de desenhos. A separação de gênero dos brinquedos parece não acompanhar discussões de força na sociedade, que buscam a equidade como parâmetro para o futuro. “A segmentação de produto é uma estratégia comercial”, diz Lívia C., advogada do programa Criança e Consumo, do Instituto Alana, organização que luta pelo desenvolvimento infantil e direitos das crianças. “Nas lojas, até as cores do Lego são diferentes. Se uma família tem um casal de filhos, compra dois produtos”,complementa.
O brinquedo, no entanto, não é uma criação exclusiva da lógica de compra e venda do mercado, já que diz também sobre uma característica primordial da infância: a criatividade. “Eles são objetos culturais muito antigos, e se tornaram uma representação social do campo do imaginário”, diz Raquel F., coordenadora pedagógica do Instituto Alana. Se os lares reproduzirem padrões de gênero, os brinquedos também irão fazê-lo. Para a criança, não importa o que diz a embalagem e suas especificações. O problema só existe quando esse objeto determina papéis sociais que limitam o aprendizado.
“É por meio da brincadeira que a criança interage com outros e vivencia situações de casa”, diz Andrea L., que coordena o projeto Toda Criança Pode Aprender. Ela lembra de uma cena curiosa: “Vi um grupo de crianças brincando com bonecas e roupinhas. Um menino chegou para brincar com um super-herói e começou a dar banho e mamadeira para ele”. Para a criança, o que dita as regras é a curiosidade, isto é, o ato de descobrir.
Segundo Raquel F., o alto poder imaginativo e criativo das crianças os elementos culturais impostos a ela, simplesmente porque a brincadeira vale mais a pena. Trocar brinquedos ou remontá-los são ações possíveis que só dependem da imaginação. “Elas têm a capacidade de ressignificar os papéis que a indústria e a sociedade ”, diz. Os pais podem apostar mais em resgatar atividades construtivas para combater a imposição de gênero e demais costumes predatórios, como o consumismo, sobre as crianças. “Temos que a chance de construírem seus próprios brinquedos, de brincarem ao ar livre e interagirem”, cita Raquel.
Já existe uma legislação protetiva quando se trata da exposição infantil à publicidade, com atributos adicionais como o Marco Legal da Primeira Infância, que determina a não exposição delas à comunicação mercadológica. Para os pais e a sociedade, o momento é de pressionar para alinhar o que está nas prateleiras às expectativas dos novos tempos. Já surtiu efeito: “Vemos mais bonecas negras, mais bonecos bebês meninos”, diz Livia C.. No fim desse processo, as crianças só querem mais um motivo para brincar.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/diversidade/como-nao-cair-na-cilada-de-princesas-e-heroisdos-
brinquedos-infantis/Texto adaptado especialmente para esta prova.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas.
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