O último dia do ano
não é o último do tempo.
Outros dias virão.
O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...
Carlos Drummond de Andrade. Poesia e prosa.
Rio de Janeiro: Aguilar, 1988, p. 107 (fragmento).
Considerando o fragmento transcrito acima, da poesia de Carlos Drummond de Andrade, julgue o item que se segue.
O poeta atenua a força semântica que o vocábulo “último” adquire no imaginário coletivo por meio do emprego de frases negativas em que contrapõe, respectivamente, “ano” a “tempo” e “tempo” a “tudo”.