AS CORRESPONDÊNCIAS DE CÂMARA CASCUDO E MÁRIO DE ANDRADE
Edna Maria Rangel de Sá
Humberto Hermenegildo de Araújo
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
1 Manuela e Isaura: nomes do coração
Escrever cartas era uma atividade essencial à maioria dos intelectuais brasileiros até a segunda metade do século XX, quando ainda não era tão evidente o domínio da tecnologia informacional computadorizada nas comunicações interpessoais. Vista como uma memória cultural documentada, a produção epistolar pode se caracterizar também como um registro de dimensão não institucional, no contexto do espaço material, simbólico e funcional construído e gerido pela intelectualidade que historicamente se organiza em torno do poder, definido por Angel Rama (1985) como “cidade das letras”.
Nesse contexto, os indivíduos e as instituições implicados nas questões tratadas pelos autores das cartas podem ser vistos como agentes culturais que dão forma a universos de interesses distintos, revelando tensões implicadas nas relações sociais . Esses agentes culturais constituem, via de regra, uma elite cultural da sociedade, aspecto que interessa a uma pesquisa que analise as formas de filtragem das dominantes culturais de determinados períodos.
Se o mesmo texto houvesse sido publicado pelos autores como um artigo, no mesmo ano, no volume 3, número 2, ocupando da página 57 a 77, da revista Linguagem em (Dis)curso, editada pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), em Tubarão, a referência correta seria