O texto a seguir serve de base para as questões 12 e 13.
QUE COISA FEIA, ZUCK. NINGUÉM PODE CURTIR MANIPULAÇÕES NO FACEBOOK
Vamos começar com uma promessa: não se defenderá, aqui, o papel que repórteres
inquietos e editores bem preparados desempenham na busca, filtragem e divulgação de notícias.
Atividade também conhecida como jornalismo, com todas suas fragilidades e urgências
tempestivas.e informações, o Twitter e o Facebook. Apresentadas como agentes supremamente
5 imparciais que apenas mostram os assuntos mais buscados pelos usuários, as redes sociais têm
vários rabos presos.
Um deles apareceu nos últimos dias, quando cinco ex-colaboradores do Facebook
contaram como havia sido sua experiência numa função descrita como “curadores de notícias”.
Nessa tarefa temporária, afirmam, a ser eventualmente substituída por algoritmos, eles tinham
10 que buscar e resumir as notícias mais buscadas, os trending topics.
Eram, na maioria, jovens saídos de faculdades de jornalismo de elite nos Estados Unidos,
portanto já alinhados com a visão liberal, no sentido americano, do mundo. Uma tendência
exacerbada pela orientação de que deveriam selecionar reportagens e artigos de publicações com
a mesma linha, como o New York Times e a revista Time.
15Potências da internet como o Drudge Report, mais à direita, não entravam na lista do
Facebook. Também ficavam fora personagens por quem os usuários demonstravam grande
interesse, como Lois Lerner, a alta funcionária da Receita Federal americana que coordenava a
perseguição a organizações de tendência conservadora que pediam o direito à isenção fiscal
garantido pela lei, um dos maiores escândalos do governo Obama.
20A manipulação também ocorria em sentido contrário. Em vez de suprimir, os “curadores”
incluíam temas que eram considerados importantes, mesmo que os usuários não estivessem
muito interessados, como as atividades do Black Lives Matter – as vidas dos negros são
importantes -, grupo radical que defende a morte de policiais como revanche pelos casos em que
negros são mortos, em reações excessivas ou não. A repercussão nas redes sociais do BLM –
25 falsamente anabolizada, agora se sabe – é considerada um fator importante em sua expansão.
Mark Zuckerberg já declarou apoio ao grupo e passou um sermão público em funcionários
do próprio Facebook que haviam substituído a sua denominação pelo mais inclusivo Todas as
Vidas são Importantes. Ele e todos os gênios bilionários do Vale do Silício apoiam a política de
portas abertas à imigração, pois dependem dos “indianos”, designação geral dos estrangeiros que
30 formam a base de sua mão-de-obra.
Zuck também é um clintonista militante e o pessoal do meio diz que fica nervoso quando
Jack Dorsey, do Twitter, toma posições mais “progressistas”. Em seu Conselho de Credibilidade e
Segurança, o Twitter tem dezenas de representantes de organizações sociais, inclusive algumas
dedicadas a vigiar “discursos perigosos”, manifestações que possam soar ameaçadoras para
35 alguma das muitas categorias que se consideram vitimizadas. Nenhuma delas, evidentemente, de
tendência mais à direita.
Depois das reportagens do site Gizmodo sobre a curadoria com cara de viciada do
Facebook, a Comissão de Comércio do Senado, presidida pelo republicano John Thune, pediu
explicações. Entre elas: “Os curadores de notícias do Facebook de fato manipularam o conteúdo
40 da seção Trending Topics, visando a excluir notícias relacionadas a pontos de vista
conservadores ou injetar conteúdo não no topo dos mais buscados?”.
Através do vice-presidente Tom Stocky, o Facebook negou tudinho. O sistema é orientado
a “não permitir a supressão de perspectivas políticas” e a “garantir a neutralidade”. Se tivessem
perguntado a jornalistas, saberiam que não existe “neutralidade” nem imparcialidade.
45 Estas são características obrigatórias na administração pública e no sistema judiciário. O
pilar fundamental do jornalismo é a credibilidade, Zuck. Se os seus 600 milhões de usuários
descobrirem que o Face anda escondendo coisas por motivos políticos, você pode ficar com a
cara no chão.
(Por: Vilma Gryzinski 11/05/2016 às 12:08 em http://veja.abril.com.br/blog/mundialista/que-coisa-feia-zuck-ninguem-pode-curtirmanipulacoes-no-facebook/).
Analise as afirmativas a seguir:
I. O termo “um deles” (linha 7) refere-se a “um aspecto negativo”.
II. O termo “nenhuma delas” (linha 35) refere-se às “organizações sociais”.
III. A sequência “busca, filtragem e divulgação de notícias” refere-se a “atividade também conhecida como jornalismo” (linhas 2 e 3).
IV. O pronome “seu” (linha 32) refere-se a “Jack Dorsey”.
Está(ão) correta(s):