Texto 1
Vim a Comala porque me disseram que aqui vivia meu pai, um tal de Pedro Páramo.
Minha mãe me disse. E eu prometi que viria vê-lo assim que ela morresse. Apertei suas mãos em sinal de que faria isso; pois ela estava morrendo, e eu decidido a prometer tudo. “Não deixe de ir visitá-lo”, recomendou ela. “O nome dele é assim e assado. Tenho certeza que ele vai gostar de conhecer você.” Então não tive outro jeito a não ser dizer a ela que faria isso, e de tanto dizer continuei dizendo mesmo depois que minhas mãos tiveram trabalho para se safarem de suas mãos mortas.
Antes ainda, ela tinha me dito:
— Não peça nada a ele. Exige o que é nosso. O que ele tinha de ter me dado e não me deu nunca... O esquecimento em que nos deixou, filho, você deve cobrar caro.
— Vou fazer isso, mãe.
Mas não pensei em cumprir minha promessa. Até que agora comecei a me encher de sonhos e a soltar as ilusões. E assim foi se formando em mim um mundo ao redor da esperança que era aquele senhor chamado Pedro Páramo, o marido da minha mãe. Por isso vim a Comala.
RULFO, Juan. Pedro Páramo. Tradução e prefácio de Eric Nepomuceno. Rio de Janeiro: BestBolso, 2008. (adaptado).
Considerando os sentidos e os aspectos linguísticos do texto, julgue os itens seguintes:
I. A busca do filho pelo pai que não conheceu, motivada por uma promessa feita à mãe que morria, é a premissa que envolve a narrativa de Pedro Páramo.
II. Ao pai nada deveria pedir, mas sim exigir o que lhe era devido por direito; após tantos anos, a mãe desejava que o filho retribuísse ao pai o mesmo esquecimento na qual fora deixada.
III. No trecho: dizer a ela que faria isso (l.8), o pronome demonstrativo remete à oração anterior. .