Meu trabalho é basicamente convidar homens e mulheres a trocar de hábitos, renovar conceitos e atitudes. Não é uma tarefa fácil. A maioria de nós repete comportamentos quase que automaticamente, sem pensar. A cada dia que passa, preciso afiar mais e mais meus argumentos e ser muito boa em persuasão. Noto uma exacerbada preocupação dos ocidentais com a preservação da juventude. Rios de dinheiro são gastos com procedimentos cirúrgicos com a finalidade de melhorar a estética, de apagar rugas e demais marcas do tempo.
Deveríamos nos preocupar na mesma medida com a velhice de alma, porque essa nos faz resistentes a tudo o que é novo, faz com que nossos olhos percam o brilho que só a curiosidade lhes aufere. No universo corporativo, a resistência é igualmente grande, e a síndrome de Gabriela impera – eu nasci assim, eu cresci assim, aprendi assim, me aposento assim...
Pouca idade ou pouca experiência não necessariamente significam ausência de conhecimento e de capacidade de boas sugestões. O olhar daquele jovem que acabou de chegar à empresa ainda não é viciado nem foi contaminado pelos processos que existem e que acabam por fazer com que os mais experientes acreditem que tudo o que é novo é difícil. Aquele que não quer envelhecer profissional e pessoalmente é um fiscal atento de suas atitudes o tempo todo e quem não quer perder a validade ouve as sugestões e olha para o que é novo de maneira curiosa, e não resistente.
(LEÃO, Célia. Só não muda quem morreu. Você S/A, São Paulo, edição 193, p. 113, jun. 2014.)
Assinale a alternativa em que os dois pronomes sublinhados se referem ao mesmo termo.