Leia o texto para responder às questões de números 01 a 07.
Um sonhador chamado Lobato
Meu pai, o botânico Leonam de Azeredo Penna, era também naturalista, escritor, tradutor e jornalista – em suma, um intelectual completo. Graças a ele, nasci no meio de livros e revistas. Comprava-me todos os gibis, numa época em que as histórias em quadrinho eram condenadas nas escolas. Foi graças ao Dr. Leonam que cheguei a Monteiro Lobato. Lamento não tê-lo conhecido pessoalmente, pois, como meu pai, frequentava a roda literária da Livraria Civilização Brasileira, na rua do Ouvidor, no Rio.
Mas não teria sido preciso. Monteiro Lobato, como gostam de dizer hoje, “fez a minha cabeça”, me ensinou a amar o Brasil e a aprender que o petróleo é nosso e de mais ninguém. Já li O Poço do Visconde umas seis ou sete vezes, sei lá. A edição belamente ilustrada por Belmonte tem o desenho de um monumento em homenagem à turma do Sítio do Picapau Amarelo, por ter salvo o Brasil das garras dos americanos. Lobato foi um nacionalista sonhador, fundou uma empresa para furar as terras de São Paulo em busca do ouro negro. Por uma feliz coincidência, entretanto, foi numa localidade chamada Lobato, no Recôncavo Baiano, que se achou o primeiro poço em solo nacional.
Lobato foi condenado pela Igreja Católica por ter se lixado para verdades que impingiam aos jovens daquele tempo. Certo padre Sales Brasil chegou a publicar um libelo contra Lobato chamado A literatura infantil de Monteiro Lobato ou comunismo para criança. No colégio, onde estudei, a diretora alertou minha mãe para o “perigo” por ter sabido que o filho dela lia e adorava aquele autor subversivo. Escusado dizer que ela e o meu pai não deram a menor bola para a advertência. E Lobato continuou fazendo a cabeça do garoto.
Escrevo essas coisas porque tenho certeza de que Lobato está esquecido, não é lido mais pelas crianças e adolescentes, obcecados pelas maravilhas tecnológicas deste século XXI. Uma lástima. A garotada, hoje adulta, só tem ideia do mundo mágico criado por Lobato pela novelização do Sítio do Picapau Amarelo.
Não vejo nenhuma editora se lembrando de reeditar a saga do Picapau Amarelo, que felizmente, não ficou datada. Dá para nos deleitarmos com a sensatez de Dona Benta, com os quitutes de tia Nastácia, com as espertezas de Emília, “a boneca que virou gente”, com a sabedoria do Visconde de Sabugosa, com as reinações de Narizinho e as aventuras de Pedrinho. Sem falar no pó de pirlimpimpim. Dito isso, parece uma babaquice, mas não é. Uma pena que ainda publiquem as histórias do folclore europeu, como pode ser visto agora nas bancas de jornal. Cinderela, João e Maria, a Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho nada têm a ver conosco, com a nossa realidade. Viva Jeca-Tatu.
(Carlos Leonam. CartaCapital.17.04.2016. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a nova versão da frase está correta quanto ao sentido do contexto e à norma-padrão.