Até 1956, a apicultura brasileira trabalhava unicamente com “raças” européias, conhecidas pela “mansidão”, mas pouco adaptadas às condições ambientais brasileiras. Por essa razão, a apicultura restringia-se ao sul do país e a produtividade era muito baixa. Nesse ano, um cientista brasileiro, Warwick Kerr, introduziu abelhas africanas no Brasil, ao trazer 49 colméias da África do Sul para o interior de São Paulo, pensando em criar uma variedade de abelhas híbridas, que reunisse a mansidão das européias com a resistência a doenças e a alta produtividade das africanas.
Um acidente precipitou os planos de Kerr: rainhas escaparam e colméias enxamearam, o que deu origem à africanização das abelhas da espécie Apis melifera em todo o país. Hoje, 90% das abelhas brasileiras são africanizadas e não manifestam a agressividade das africanas nem a mansidão das européias. Em compensação, são altamente produtivas e mais resistentes a doenças e a inimigos naturais. A produção brasileira passou de 6 mil toneladas para 30 mil toneladas anuais e, hoje, a apicultura pode desenvolver-se em outras regiões do país, como no estado do Piauí, que se transformou em grande produtor de mel.
Rumo norte cada vez mais mansas. In: Revista Globo
Rural, n.º 45, 1989, p. 58-64 (com adaptações).
Considerando o texto acima, julgue o item a seguir.
O texto descreve um fenômeno evolutivo denominado migração, que promove a disseminação de espécies e a ocupação de novos habitats.