Não se sabe ao certo quando os primeiros escravos africanos foram trazidos para o Brasil. No entanto, é somente a partir do alvará de D. João III de 29 de março de 1549, que faculta o “resgate e recebimento de escravos da costa da Guiné e da ilha de São Tomé” para auxílio da cultura da cana e do trabalho dos engenhos, que a importação de escravos africanos para o Brasil cresce de forma vertiginosa. Já no final do século XVI, os africanos ocupavam majoritariamente a base da sociedade colonial brasileira, o que iria acentuar-se no século XVII. É possível que os primeiros escravos africanos tenham tido contato com a língua geral, mas, com a redução da presença indígena na zona açucareira, pode-se dizer que os escravos passaram a ter contato, desde cedo, com o português. Os escravos que eram incapazes de se comunicar nessa língua eram chamados de boçais, em oposição aos que demonstravam conhecer o português, que eram chamados de ladinos. No decorrer do século XVIII, com o ciclo do ouro, aumentou a onda migratória vinda de Portugal, e o tráfico negreiro também se orientou para as demandas cada vez maiores de mão de obra para a mineração, tendo aumentado, portanto, o acesso dos escravos africanos à língua portuguesa.
Dante Lucchesi. História do contato entre línguas no Brasil. In: Dante
Lucchesi, Alan Baxter e Ilza Ribeiro (Org.). O português afro-brasileiro.
Salvador: EDUFBA, 2009, p. 47-8 (com adaptações).
O gramático
Os negros discutiam
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou.
Oswald de Andrade. Poesias reunidas. 5. a ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.
Considerando o texto de Dante Lucchesi, o poema de Oswald de Andrade e as questões por eles suscitadas, julgue o item a seguir.
O texto de Dante Lucchesi reitera a relevância do trabalho escravo para a economia colonial brasileira, em especial para a agroindústria açucareira do Nordeste, e sugere ter sido sensivelmente diminuída essa participação à época da mineração, certamente em face das características singulares do processo de extração aurífera.