Todo povo tem na sua evolução, vista a distância, um
certo “sentido”. Esse se percebe não nos pormenores de sua
história, mas no conjunto dos fatos e acontecimentos
essenciais que a constituem em um largo período de tempo.
Quem observa aquele conjunto, desbastando-o do cipoal de
incidentes secundários que o acompanham sempre e o fazem,
muitas vezes, confuso e incompreensível, não deixará de
perceber que ele se forma de uma linha mestra e ininterrupta
de acontecimentos que se sucedem em ordem rigorosa, e
dirigida sempre em uma determinada orientação. É isto que se
deve, antes de mais nada, procurar quando se aborda a análise
da história de um povo, seja, aliás, qual for o momento ou o
aspecto dela que interesse, porque todos os momentos e
aspectos não são senão partes, por si só incompletas, de um
todo que deve ser sempre o objetivo do historiador, por mais
particularista que seja.
Tal indagação é tanto mais importante e essencial que
é por ela que se define, tanto no tempo como no espaço, a
individualidade da parcela de humanidade que interessa ao
pesquisador: povo, país, nação, sociedade, seja qual for a
designação apropriada ao caso. É somente aí que ele
encontrará aquela unidade que lhe permite destacar uma tal
parcela da humanidade para estudá-la à parte.
Caio Prado Júnior. Op. cit., p. 1.130 (com adaptações).
Considerando as estruturas lingüísticas e os sentidos do texto, assinale a opção correta.