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Leia o texto e responda a questão.

Estudo sobre formigas

Enunciado 3116124-1

O francês Jean de La Fontaine, através de suas fábulas, usava "animais para instruir os homens". A fábula que abre sua primeira coletânea é a famosa história da cigarra e da formiga, inspirada no escritor grego Esopo. Se Esopo mostra, em seu texto, as formigas atarefadas, colocando folhas para secar, seu longínquo sucessor francês não se dá ao mesmo trabalho e já presume como certa a imagem da formiga trabalhadora.

Essa imagem ganhou tanta força que, nas definições do dicionário, uma formiga pode ser sinônimo de uma pessoa trabalhadora e um formigueiro um lugar onde trabalha um grande número de humanos.

No entanto, tudo isso pode ter sido construído em cima de um simples mito, pois formigas e trabalho não seriam tão sinônimos assim, de acordo com vários estudos, o mais recente deles publicado na revista "Behavioral Ecology and Sociobiology".

Dois autores desse estudo, biólogos da Universidade do Arizona, partiram da constatação, por diversos trabalhos anteriores, que nos formigueiros estudados cerca de metade dos indivíduos pareciam inativos. Então eles quiseram verificar se esse era de fato o caso e testar diversas hipóteses que pudessem explicar essa "ociosidade" como, por exemplo, uma necessidade de repouso imposta pelo relógio interno ou por excesso de trabalho.

Para isso, esses pesquisadores foram a campo, coletaram cinco pequenas colônias de formigas e as instalaram em ninhos artificiais que imitavam as fissuras de rochedos que elas apreciam como habitat. Mas, em vez de serem completamente cercados por rochas, os insetos viviam sob uma placa de vidro, para que pudessem ser observados. As formigas tinham à sua disposição água, alimento.

Como era preciso identificar cada inseto para analisar seu comportamento, os pesquisadores pacientemente colocaram em todas as formigas uma combinação de quatro pontos de pintura. A experiência consistiu em filmar as cinco colônias ao longo de um período de três semanas.

Registrar as imagens evidentemente era a parte mais fácil da história. O quebra-cabeça começou depois, quando foi preciso analisar, para cada indivíduo, todos esses vídeos.

Os observadores tinham como missão anotar todas as atividades que as formigas realizavam, desde a manutenção do ninho até os cuidados ministrados aos ovos e larvas, passando pelo abastecimento fora do formigueiro, a higiene pessoal e, é claro, todos os períodos de inatividade.

Das 225 formigas acompanhadas, surgiram quatro grandes categorias: a das puericultoras (34 formigas), a das operárias, que trabalham fora do ninho (26), a das generalistas, que fazem um pouco de tudo (62) e, por fim, a das ociosas (103), que não fazem nada ou quase nada, independentemente do período do dia ou da noite em que foram observadas.

Para os autores desse estudo, nada, nem a necessidade de repouso, nem o ritmo do dia parece justificar essa inatividade quase permanente. As formigas que trabalham fazem aquilo que precisam fazer, independentemente do tempo que isso levará, e não são substituídas pelas outras, não há turnos de trabalho entre elas.

Os autores reconhecem que três semanas de observação talvez não sejam suficientes para identificar a função misteriosa das formigas ociosas.

Tomer Czaczkes, da Universidade de Ratisbona, sugeriu a ideia de que essas formigas possam ser uma espécie de exército de reservistas, à espera de serem convocadas para defender a colônia ...

Mas os autores desse estudo parecem pender para outras hipóteses. Como as formigas ociosas têm menos interações com as outras, elas poderiam simplesmente não estar cientes de que há trabalho à espera, ou, ainda mais sutilmente ... tentariam evitá-lo.

A ociosidade poderia, no fim das contas, ser uma atividade como outra qualquer ... Seja como for, esses dois pesquisadores, ao demolirem o mito da formiga trabalhadora, ressaltam que esse resultado implica que todos os estudos de insetos que se interessam pelas tarefas "ativas" são tendenciosos, uma vez que esquecem que quase metade da população se dedica a uma especialidade importante: o fazer-nada.

www.uol.com.br, 02/10/2015 (adaptado)

Assinale a alternativa que melhor resume a ideia central do texto.

 

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