À máquina o século XIX conferiu todo o poder transformador e produtor da abundância. Máquinas, multidões, cidades: o persistente trinômio do progresso, do fascínio e do medo. O estranhamento do ser humano em meio ao mundo em que vive, a sensação de ter sua vida organizada em obediência a um imperativo exterior e transcendente a ele mesmo, embora por ele produzido.
A representação do tempo regido pela natureza perde-se e, junto com ela, a medida do tempo relacionada às tarefas cíclicas e rotineiras do trabalho. Perda que implica a imposição de uma nova concepção de tempo: abstrato, linear, uniformemente dividido a partir de uma convenção entre os homens, medida de valor relacionada à atividade do comerciante e às longas distâncias. Tempo a ser produtivamente aplicado, que se define como tempo do patrão — tempo do trabalho, cuja representação aparece como uma imposição de uma instância captada pelo intelecto, porém presa a uma lógica própria, exterior ao homem, que o subjuga. Delineia-se uma primeira
exterioridade substantivada no relógio, concomitantemente artefato e mercadoria.
Maria Stella Martins Bresciani. Metrópoles: as faces do monstro urbano (as
cidades no século XIX). In: Revista Brasileira de História. São Paulo:
ANPUH, v. 5, n.º 8/9, 1985, p. 37-38 (com adaptações).
Tendo como referência inicial o texto acima, julgue o item.
O impacto causado pela industrialização sobre as pessoas, aludido no texto, pode ser medido, entre outros aspectos, pela mudança substantiva de uma sociedade essencialmente rural para a nova realidade urbana, que impõe diferentes padrões de comportamento, de mentalidade e de necessidades.