As inovações trazidas pelo Capital acarretaram uma “revolução cultural” na Amazônia brasileira. Para o empreendedor, a terra tem um valor de acumulação, 4 quantitativo, ao passo que, para o posseiro, ela tem um valor qualitativo. Para o capitalista recém-chegado à Amazônia, a terra vale o que ela pode produzir para fins de exportação. 7 Aos olhos do colono e do indígena, a terra é o instrumento que garante sua sobrevivência. Do mesmo modo, o conceito de propriedade também é modificado: para o empresário, a 10 posse jurídica precede a posse física; para os nativos e camponeses que habitam a Amazônia, a posse jurídica não existe. Para eles, a simples presença do indivíduo na terra 13 define sua propriedade sobre ela. Ora, duas concepções econômico-culturais tão distintas não poderiam coexistir sem choques. Instaura-se na Amazônia, então, uma espécie de 16 crise de significação, advinda de um violento choque cultural. De um momento para o outro, homens que viviam apartados da cultura do branco ou que, em casos extremos, não 19 dominavam a língua dos brancos, tornam-se economicamente operacionáveis, uma mercadoria como outra qualquer. É a lógica do capitalismo.
Na relação entre o dominante e o dominado, segundo o intelectual Baudrillard (1975), existe uma reciprocidade, não no sentido moderno e psicológico da relação biunívoca 25 entre dois sujeitos individualizados, ou seja, no contexto do individualismo/altruísmo que circunscreve nossa moral, mas no sentido de que há uma relação de troca e de obrigação, em 28 que a especificação dos termos de troca como sujeitos autônomos ainda não foi estabelecida.
Hilda Gomes Dutra Magalhães. Relações de poder na literatura da Amazônia legal. Cuiabá: Ed. UFMT, 2002 (com adaptações).
Acerca da classificação e do emprego das palavras no texto I, assinale a opção correta.