Texto III
Olívia se aproximou de Eugênio e com um lenço enxugou-lhe o suor da testa. Estava terminada a traqueostomia.A) A enfermeira juntava os ferros. Ruído de metais tinindo, de mesas se arrastando. Eugênio tirou as luvas e foi tomar o pulso do pequeno paciente. A criança como que ressuscitava. A respiração voltava lentamente, a princípio superficial, depois mais funda e visível.B) O rosto perdia aos poucos a rigidez cianótica.
Eugênio examinava-lhe as mudanças do rosto com comovida atenção.
Vencera! Salvara a vida de uma criança!
A vida é boa! – pensava Eugênio. Ele tinha salvo uma criança. Começou a cantarolar baixinho uma canção antiga que julgava esquecida.C) Sorvia com delícia o refresco impregnado do cheiro da gasolina queimada. Sentia-se leve e aéreo. Era como se dentro dele as nuvens de tempestade se tivessem despejado em chuva e sua alma agora estivesse límpida, fresca e estrelada como a noite.
– Por que será – perguntou ele a Olívia – por que será que às vezes de repente a gente tem a impressão de que acabou de nascer...E) ou de que o mundo ainda está fresquinho, recém-saído das mãos de quem o fez?
VERÍSSIMO, Érico. Olhai os lírios do campo. Rio de Janeiro: Globo, 1987. (Fragmento)
A Gramática da Língua Portuguesa prevê que o emprego do acento grave para indicar a ocorrência de crase pode ser facultativo em alguns casos.
Em qual das passagens transcritas do texto há a ocorrência da crase, e o emprego do acento grave é facultativo?