O fragmento de texto abaixo servirá de base para responder à questão.
− Este livro não é meu! Meu Deus, o que fizeram do meu livro?
A exclamação, patética, vinha da famosa jornalista internacional (mas, no caso, como escritora) Oriana Fallaci, ao perceber que a tradução brasileira do seu livro Um homem não era fiel à estrutura paragráfica do original, construída em forma de monólogo compacto (Jornal do Brasil, 24.4.1981). O que a escritora concebera como blocos de longo discurso interior foi transformado, na tradução, em diálogos convencionais, i.e., cada fala contida num parágrafo, começando com travessão, enquanto no original não havia distinções semelhantes, mas aspeamento de interlocuções para ‘relembrar’ diálogos.
[...] Com o seu protesto, Oriana Fallaci levantou um sério problema de editoração. Trata-se, aliás, de um problema duplo: sua própria técnica literária e – o mais importante para o editor de texto – o respeito em relação a essa técnica, o que a autora definiu como seu estilo. [...]
ARAÚJO, Emanuel. A construção do livro: princípios da técnica de editoração. 2. ed. Rio de Janeiro: Lexikon;
São Paulo: Fundação Editora UNESP, 2008, p. 25-26.
A partir desse fragmento, considerando que a mudança em relação ao original em língua estrangeira foi feita pelo editor, é correto afirmar que