Texto V
A maior investigação da história.
Tanto tempo depois da tragédia no World Trade Center, ninguém mais espera encontrar sobreviventes nos escombros das torres, é claro. Mas, mesmo assim, os operários e bombeiros que removem os entulhos continuam trabalham com todo o cuidado. O motivo é que o local onde ficavam as torres, chamado de ponto zero, um termo análogo ao epicentro de um terremoto, é palco da maior investigação de ciência forense já realizada no mundo. Cada estilhaço da pilha de escombros, que pesa 2 milhões de toneladas e tem a altura de um prédio de nove andares, pode esconder um série de provas cruciais.
Um dos principais objetivos da investigação é identificar as vítimas, uma tarefa fundamental não só para consolar os parentes dos mortos, mas também para possibilitar pagamentos de seguros, partilhas de heranças e concessões de pensões. Além disso, a polícia precisa provar que os suspeitos do atentado realmente estava, no avião e morreram na tragédia para poder acusar eventuais cúmplices.
Não é tarefa fácil. Até agora não se conhece nem o número exato de vítimas. Sabe-se quem eram os passageiros dos aviões, mas não há lista das pessoas que estavam nas torres. No dia 11 de novembro, dois meses depois da tragédia, a polícia havia identificado apenas 556 corpos. Já a lista de desaparecidos continham 3.748 nomes. Ou seja, o total de vítimas giraria em torno de 4.300 pessoas, bem menos do que as 6.000 que foram anunciadas nos primeiros dias (várias delas acabaram sendo encontradas em hospitais).
Todos os reconhecimentos foram feitos por métodos tradicionais: impressões digitais, objetos pessoais, cicatrizes, tatuagens e arcadas dentárias. Mas é certo que serão necessários métodos mais sofisticados. A maioria dos corpos foi dilacerada e até dentes isolados têm sido resgatados e catalogados para identificação. Estima-se que haja, ao final, 500.000 fragmentos humanos, e muitos só poderão ser identificados pela comparação do seu DNA com os de amostras enviadas por parentes: fios de cabelo, restos deixados em escovas de dentes ou fragmentos encontrados em roupas não-lavadas. Logo após o desastre, estima-se que seria necessários 20.000 exames de DNA; hoje sabe-se que o número será bem maior. Em muitos casos, nem o DNA possibilitará a identificação.
As moléculas que compõem os código genético dizem os cientistas, podem ter sido desconstruídas pelo fogo da explosão ou pelo processo natural de decomposição dos tecidos. Caso isso aconteça, a memória dessas vítimas desconhecidas corre o risco de ficar soterrada para sempre.
In:Superinteressante, nº 171, 1/12/2001( com adaptações
Quanto ao texto V, assinale a alternativa incorreta.