Magna Concursos
49282 Ano: 2006
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Provas:

Oitavas

(...)

VI

Isto, que Europa Barbaria chama,
Do seio das delícias, tão diverso,
Quão diferente é para quem ama
Os ternos laços de seu pátrio berço!
O pastor loiro, que o seu peito inflama,
Dará novos alentos ao meu Verso,
Para mostrar do nosso Herói na boca,
Como em grandezas tanto horror se troca!

VII

— “Aquelas Serras na aparência feias” —
Dirá José — oh! quanto são formosas!
Elas conservam nas ocultas veias
A força das Potências Majestosas;
Têm as ricas entranhas todas cheias
De prata, oiro, e pedras preciosas;
Aquelas brutas, e escalvadas serras
Fazem as pazes, dão calor às guerras.

VIII

Aqueles matos negros, e fechados,
Que ocupam quase a região dos ares,
São os que, em edifícios respeitados,
Repartem raios pelos crespos mares.
Os Coríntios Palácios levantados,
Dóricos Templos, Jônicos Altares,
São obras feitas destes lenhos duros,
Filhos desses sertões feios, e escuros.

IX

A c’roa de oiro, que na testa brilha,
E o Cetro que empunha na mão justa
Do augusto José a Heróica Filha,
Nossa Rainha Soberana Augusta;
E Lisboa, da Europa maravilha,
Cuja riqueza todo o mundo assusta,
Estas terras a fazem respeitada,
Bárbara terra, mas abençoada.

(...)

Alvarenga Peixoto. Oitavas. In: Heitor Martins. Neoclassicismo.
Brasília: Academia Brasiliense de Letras, 1982, p. 81.

Tendo como ponto de partida o texto de Antonio Candido — “Pátria do pensador (...)” —, julgue o item subseqüente, acerca das Oitavas, de Alvarenga Peixoto, dedicadas ao nascimento, no Brasil, de D. José, filho do governador português da Capitania de Minas Gerais.

O tema dos versos, que relaciona a riqueza natural do Brasil colônia à riqueza acumulada pela civilização européia, está inscrito na própria forma apurada do poema, servindo-se o poeta do padrão refinado da literatura da Europa para cantar a bruta natureza local.

 

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