[...] Atolado em dívidas, o comerciante do interior depositava todas as suas esperanças – e ameaças – no regatão. Aos olhos das autoridades da época, uma única motivação guiava esses dois personagens: a cobiça, e o lugar do índio nessa relação era sempre o de vítima. Na cobiça de ambos, comerciante do interior e regatão, estaria a origem dos meios utilizados por este último para enganar os índios. De todo modo, deve-se observar que a inserção dos índios dentro desse sistema se dava a partir do modo tradicional de se fazer trocas entre eles, sem uso de moeda. Mais do que isso, note-se que nesse emaranhado de parceiros comerciais, os índios eram os únicos que recebiam seu pagamento com antecedência, no ato inicial da relação com o regatão. Somente meses depois de receber os objetos que tanto desejavam, eles teriam a obrigação da contrapartida, o que os colocava numa posição que, aos seus olhos, poderia ser vista como vantajosa.
HENRIQUE, Marcio Couto. Sem Vieira nem Pombal: índios na Amazônia no século XIX. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2018. p. 188-189. (Com adaptações)
Tendo como ponto de partida o trecho acima, assinale a alternativa correta.