No Brasil Império, a imprensa ilustrada
da segunda metade do século XIX consolidou-se como um
espago privilegiado de disputa simbólica e politica, articulando critica social, humor gráfico e circulação pública de
imagens em periódicos de grande alcance, como Semana
Illustrada, Revista Illustrada, O Mequetrefe e A Vida Fluminense. Em um contexto marcado por intensificação do
debate sobre projetos de nação, crise do Segundo Reinado,
expansão urbana, emergência de novos públicos leitores
e consolidação de uma cultura politica visual, caricaturas e gravuras deixaram de ser meros ornamentos editoriais e passaram a operar como argumentos visuais capazes de sintetizar posições ideológicas, ridicularizar autoridades, tensionar politicas de Estado e intervir na opinião
publica. Exemplos emblemáticos incluem as caricaturas
de Ângelo Agostini, que representavam D. Pedro II como
monarca envelhecido e desconectado das urgências sociais,
e as charges abolicionistas que figuravam senhores escravistas como figuras grotescas, anacrônicas e moralmente
condenáveis, contrapondo-se à imagem de sujeitos negros
insurgentes e politicamente conscientes, como na sátira visual à repressão policial na Revolta do Vintém (1879) ou
nas representações da Guarda Negra defendendo a monarquia nos estertores do regime. Ao mesmo tempo, essas
imagens circulavam nacionalmente e atravessavam disputas que envolviam elites, trabalhadores urbanos, abolicionistas, republicanos e monarquistas, demonstrando que a cultura visual impressa atuava como campo de embate e
não como voz homogénea ou regionalmente restrita.
A partir dessa contextualização, assinale a alternativa correta.
A partir dessa contextualização, assinale a alternativa correta.