Magna Concursos
3707102 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: UNIFEI
Orgão: UNIFEI

Texto C (para a questão)

Incentivos perversos

Um amigo meu costumava pagar US$ 1 aos filhos pequenos toda vez que escreviam um bilhete de agradecimento. (Geralmente dava para perceber, lendo os bilhetes, que tinham sido escritos sob pressão.) A longo prazo, essa política pode funcionar ou não. Pode acontecer que, depois de escrever muitos bilhetes, as crianças acabem aprendendo seu real significado e continuem manifestando gratidão ao receber alguma coisa, mesmo se não forem mais pagas por isso. Também é possível que aprendam a lição errada e encarem esses bilhetes como uma obrigação, uma tarefa a ser desempenhada em troca de remuneração. Nesse caso, o hábito não se fixará e elas pararão de escrever os bilhetes quando deixarem de ser pagas. Pior ainda, essa forma de suborno pode corromper sua educação moral e tornar mais difícil para elas o aprendizado da virtude da gratidão. Ainda que aumente a produtividade a curto prazo, o suborno pelos bilhetes de agradecimento terá fracassado e inculcado uma maneira errada de valorar o bem em questão.

Uma questão semelhante surge no caso da remuneração dos bons resultados escolares: por que não pagar a uma criança para tirar boas notas ou ler um livro? O objetivo é motivá-la a estudar ou ler. O pagamento é um incentivo nesse sentido. Ensina a economia que as pessoas reagem a incentivos. E embora certas crianças possam sentir-se motivadas a ler livros pelo gosto do aprendizado, com outras isso não acontece. Por que então não usar o dinheiro como um incentivo a mais?

Pode acontecer – como dá a entender a lógica econômica – que dois incentivos funcionem mais do que um só. Mas também pode dar-se que o incentivo monetário venha a solapar o incentivo intrínseco e levar a criança a ler menos, e não mais. Ou levá-la a ler mais a curto prazo, mas pelo motivo errado.

Nessa situação, o mercado é um instrumento, mas não um instrumento inocente. O que começa como um mecanismo de mercado se torna uma norma de mercado. O motivo mais óbvio de preocupação é que o pagamento acostume as crianças a pensar na leitura de livros como uma forma de ganhar dinheiro e comprometa, sobrepuje ou corrompa o gosto da leitura pela leitura.
[...]

(SANDEL, M. J. O que o dinheiro não compra: os limites morais do mercado. Tradução de Clóvis Marques. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.)

Assinale a alternativa em que o vocábulo extraído do texto não está definido corretamente.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Assistente de Administração

50 Questões

Técnico de Eletrotécnica

50 Questões