Choque de realidade na Polônia
A madrugada de 10 de setembro passado foi um divisor
de águas: 19 drones russos penetraram o espaço aéreo
da Polônia, membro da Otan, obrigando caças poloneses e
holandeses a abatê-los. Foi a primeira vez desde 1949 que
aeronaves da aliança confrontaram armamentos russos em
território aliado. O premiê polonês, Donald Tusk, alertou:
“Foi o momento mais próximo de um conflito aberto desde
a 2a Guerra Mundial”. O gesto deixou claro o que está em
jogo: a credibilidade da defesa coletiva no coração da
ordem euro-atlântica.
Moscou acusou Varsóvia de disseminar “mitos”. Mas
a escala, a origem e o momento – às vésperas do exercício Zapad, na Bielorrússia, que tradicionalmente ensaia
cenários de guerra contra a Otan – não deixam dúvidas: foi
uma operação de sondagem. Vladimir Putin buscou testar
tempo de resposta, interoperabilidade e nervos políticos da
aliança, a fim de expor velhas fissuras e, sobretudo, abrir
novas. A estratégia é antiga, mas eficaz: avançar por meio
de provocações ambíguas, negar responsabilidade e colher
inteligência e dividendos psicológicos.
A resposta não pode ser tímida nem só verbal. É preciso
combinar três dimensões. Primeiro, defesa ativa: interceptar
sistematicamente qualquer incursão, reforçar o policiamento
aéreo e deslocar barreiras antiaéreas para o leste. Segundo,
apoio ampliado à Ucrânia: negar à Rússia os “santuários”
de onde partem ataques implica fornecer a Kiev arsenais de
longo alcance, inteligência e meios industriais para atingir
fábricas de drones e mísseis no território russo. Terceiro, clareza estratégica: a Otan precisa provar que não tolerará a
criação de uma nova “zona cinzenta” em seu firmamento,
riscando linhas vermelhas – ao invés de diluí-las.
A investida na Polônia foi o ensaio de um desafio maior
à segurança europeia e ao sistema internacional. O episódio serve de alerta a líderes europeus que continuam a
tratar suas obrigações de defesa com tibieza, ao contrário
da Polônia, que leva a ameaça russa a sério. A diretora de
Relações Exteriores da União Europeia enunciou a verdade
da qual muitos se esquivam: “A guerra da Rússia está escalando, não acabando”.
A lição é tão antiga quanto a guerra: fraqueza é um
convite à agressão. Reagir com firmeza já não é escalar,
é dissuadir. Armar a Ucrânia e fortalecer a integridade da
Otan são a única forma de evitar que a Rússia transforme
provocações em rotina, e rotinas, em guerra aberta. O teste
foi feito. A hora da verdade chegou.
(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 12.09.2025. Adaptado)
Considere a passagem do 4o parágrafo do texto:
“O episódio serve de alerta a líderes europeus que continuam a tratar suas obrigações de defesa com tibieza, ao contrário da Polônia, que leva a ameaça russa a sério. A diretora de Relações Exteriores da União Europeia enunciou a verdade da qual muitos se esquivam...”
Os termos destacados significam, correta e respectivamente: