Rios sem discurso
“Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.”
João Cabral de Melo Neto
Na estrofe acima, além da função poética da linguagem, o poeta através do título, evidencia a relação entre o discurso e a água. Essa função da linguagem é denominada:
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Professor do Ensino Fundamental - Português
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