“A política externa e a atividade diplomática têm, como um
item permanente na agenda, o defender os interesses de um
país no plano internacional. Identificar esses interesses e a sua
especificidade, diferenciando-os daqueles dos demais atores
que operam na vida internacional é, assim, um problema
prático e um exercício diário da representação da identidade
coletiva de um país.
Traduzir necessidades internas em possibilidades externas
para ampliar o poder de controle de uma sociedade sobre o
seu destino é a tarefa da política externa considerada como
política pública. (...). Requer novos e abrangentes mapas de
conhecimento à luz do processo de globalização que,
lastreado na inovação tecnológica, não só acelerou o tempo e
encurtou os espaços como também diluiu a diferença entre o
interno e o externo.
A diluição da diferença entre o interno e o externo vem
levando ao questionamento de uma das clássicas hipóteses de
trabalho da teoria das relações internacionais: a que conferia
à política externa uma esfera de autonomia em relação à
política interna. (...)
É por esta razão que hoje os estudiosos tendem a definir o
campo como o das complexas redes de interação
governamentais e não governamentais – que estruturam o
espaço do planeta e a governança do mundo. Daí o tema de
uma diplomacia global e o problema correlato da sua
multiplicidade de atores que passaram a incluir,
rotineiramente, as empresas transnacionais, as organizações
internacionais, a mídia – e seu papel na estruturação da
agenda da opinião pública –, os partidos políticos, os
sindicatos, as agências de rating do mercado financeiro etc.”
A identidade internacional do Brasil e a política externa brasileira: passado,
presente e futuro.
Celso Lafer. Adaptado.
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