Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor
pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30
anos. Não nos contaram que amor não é acionado nem
chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que
cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só
ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não
contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa
vida merece carregar nas costas a responsabilidade de
completar o que nos falta: a gente cresce através da gente
mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais
agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada
“dois em um”, duas pessoas pensando igual, agindo igual,
que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem
nome: anulação. Que só sendo indivíduos com
personalidade própria é que poderemos ter uma relação
saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é
obrigatório e que desejos fora de hora devem ser
reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula
de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela
estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que
estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são
alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah,
nem contaram que ninguém vai contar. Cada um vai ter que
descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito
apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz se
apaixonar por alguém.
Fonte: Martha Medeiros. Adaptados.
( ) A anulação da qual a autora fala diz respeito à fórmula “dois em um”, ou seja, acreditar que existem duas pessoas como uma só.
( ) Vivemos acreditando que casamento é obrigatório e que certos desejos devem ser inibidos.
( ) Não nascemos inteiros, por isso, a busca pela nossa metade deve ser crucial e incessante.
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