As escolas já não são mais o templo sagrado do saber
A escola já foi considerada um local sagrado e, portanto, reverenciado, estimado, cuidado e respeitado por todos. Uma de suas denominações, inclusive, era "Templo do Saber". Atualmente, elas são o retrato colorido de nossa sociedade, um espelho do estilo de vida urbana que temos levado e do tipo de relação que estabelecemos com os mais novos.
Assim, a escola não é um local inviolável. A criminalidade e a violência, o descaso com o patrimônio público - bem de todos-, o caos das relações interpessoais de um mundo individualista e simétrico, a competitividade levada ao seu grau mais extremado, a grosseria, o desrespeito às leis que nos protegem, o tráfico de drogas e o consumismo -também de sexo- são algumas das características de nossa sociedade.
Tais características se tornam, assim, elementos presentes no ambiente escolar, já que os muros que o cercam não são impermeáveis.
Não se iluda, caro leitor: as imagens do que ocorre no entorno da escola estadual Professor Alberto Levy, na zona sul de São Paulo, não mostram um fenômeno exatamente localizado. De modo mais ou menos estridente, esse é o espírito da sociedade que ajudamos a construir e que ronda nossas escolas e, por consequência, nossas crianças e jovens.
Não há dúvida alguma de que a Secretaria Estadual da Educação, a polícia, a própria unidade escolar e seus trabalhadores, o bairro do entorno, as famílias dos alunos etc. deveriam ter sua quota de responsabilidade nessa questão.
No entanto, na mesma medida -vamos reconhecer- todos eles têm também sua parcela de impotência frente a fenômenos desse tipo.
Fazer o quê? Ou, melhor dizendo: o que fizemos e fazemos para que o mundo adulto escancare dessa maneira, sem quaisquer pudores, suas mazelas também aos mais novos?
O pior de tudo é que nós já temos muitas respostas para dar a essa pergunta.
(Disponível em: http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/. Acesso em: 03/01/2019.)
O gênero artigo de opinião contém estratégias argumentativas que visam persuadir o leitor sobre determinada tese defendida acerca de fatos de interesse coletivo. A respeito do artigo de opinião acima, analise as afirmativas.
I - A autora, ao defender a tese de que a escola, atualmente, é um reflexo da sociedade contemporânea, usa como estratégia argumentativa a relação causa e efeito.
II - A autora recorre à interlocução direta com o leitor, a fim de estimular o debate numa perspectiva críticoreflexiva.
III - Por se tratar de um gênero textual em que predomina a objetividade, o uso da primeira pessoa do plural compromete a função sociocomunicativa do texto em análise.
IV - A autora é categórica ao atribuir às autoridades e à sociedade de forma geral as mazelas às quais a escola está submetida.
Está correto o que se afirma em