A concepção bakhtiniana de linguagem, ao postular
que a palavra é sempre bivocal e socialmente orientada, diverge
fundamentalmente das abordagens estruturalistas que
privilegiam o sistema linguístico em detrimento do uso e do
contexto interacional. Contudo, em uma perspectiva didática, a
compreensão dos elementos estruturais da língua é precondição
para a análise dos gêneros textuais como formas relativamente
estáveis de enunciados, o que não implica negar a natureza
dialógica da linguagem.