O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Quais os riscos econômicos se o Brasil declarar
facções criminosas como terroristas
Parlamentares e governadores de oposição articulam leis
para classificar facções criminosas, como o PCC e o
Comando Vermelho, como grupos terroristas. A proposta
ganhou força após operação no Rio de Janeiro que
deixou mais de cem mortos. A Câmara dos Deputados
deve votar projeto que amplia o conceito de terrorismo
para incluir organizações criminosas e milícias.
De autoria do deputado Danilo Forte e relatado por
Nikolas Ferreira, o texto altera a Lei Antiterrorismo para
abranger grupos que cometam atos violentos e permitir o
bloqueio de bens de investigados. O objetivo é fortalecer
o combate às facções e ampliar o poder de investigação
da Polícia Federal.
Especialistas, porém, alertam para riscos econômicos e
diplomáticos. O pesquisador Roberto Uchôa, da
Universidade de Coimbra, afirma que classificar facções
como terroristas pode gerar sanções internacionais, pois
países como os Estados Unidos tenderiam a adotar a
mesma classificação. Isso permitiria congelar ativos de
empresas e indivíduos brasileiros ligados a investigações
sobre crime organizado.
Uchôa ressalta que o crime organizado está infiltrado na
economia nacional, o que poderia levar à punição de
empresas e instituições financeiras. A Polícia Federal
estima que o PCC movimentou cerca de cinquenta
bilhões de reais entre dois mil e vinte e dois mil e vinte e
quatro, por meio de esquemas de lavagem envolvendo
postos, fintechs e fundos de investimento.
O professor Rafael Alcadipani, da Fundação Getúlio
Vargas, alerta que a designação de terrorismo permite
aos EUA aplicar sanções severas, inclusive sobre o
sistema bancário e empresas públicas. "Se considerarem
que o Banco do Brasil ou o Pix têm ligações com
facções, podem agir imediatamente", afirma.
Apesar de pressões externas, o governo brasileiro
rejeitou o pedido americano para adotar a designação de
terroristas ao PCC e ao CV, alegando que tais grupos
não se enquadram na legislação nacional. Países
vizinhos, como Argentina e Paraguai, já anunciaram que
adotarão essa classificação.
Para o relator da ONU, Ben Saul, ampliar o conceito de
terrorismo pode abrir brechas para abusos, como
ocorreu quando os EUA classificaram cartéis
latino-americanos como terroristas, resultando em
deportações e ações militares. Especialistas temem que
medidas semelhantes tragam impactos econômicos e
políticos graves ao Brasil, com sanções e perda de
credibilidade internacional.