A Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador, na então província da Bahia, em 1835, se insere no
ciclo de insurreições escravas e libertas do Brasil Império,
mas apresenta singularidades que a tornam um marco do
pensamento politico afrodiaspórico no século XIX. Diferentemente de revoltas provinciais como Cabanagem, Sabinada ou Balaiada, que mobilizaram disputas entre grupos elitizados, demandas federalistas ou tensões territoriais, os Malês constituíram uma rebelião eminentemente urbana, planejada por africanos escravizados e libertos, majoritariamente muçulmanos oriundos de regiões islamizadas da África Ocidental, como o antigo Império do Mali,
os territórios haussás e iorubás islamizados. O movimento
articulou alfabetização em árabe, circulação de escritos
religiosos e políticos, sociabilidade em espaços urbanos,
organização em células, e sentido compartilhado de pertencimento étnico e espiritual, convertendo a fé islâmica
em linguagem politica de mobilização, de planejamento e
de projeto de liberdade. Exemplos dessa dimensão letrada
incluem o uso de amarraduras escritas (papéis com trechos
do Alcorão) como proteção simbólica, e bilhetes em árabe
que circularam entre insurgentes, revelando a presença de
uma cultura escrita de resistência.
De acordo com o website (historia.uff.br) da Universidade Federal Fluminense, reservado para arquivamento e popularização de documentos, artefatos e relíquias importantes da história do Brasil, em 25 de janeiro de 1835, foi encontrado um pequeno livro amarrado junto ao pescoço de um “rebelde” morto durante a Insurreição dos Malês na Província da Bahia (1821-1891), atualmente cidade do Salvador. O livro pertence ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (IHGB). Ainda no website é possível ler o seguinte texto: “Na madrugada de 25 de janeiro de 1835 aconteceu em Salvador uma rebelião organizada por muçulmanos, principalmente de origem iorubá, chamados nagôs na Bahia. A predominância nagô foi traduzida no nome dado ao movimento: Revolta dos Malês, pois o termo malê deriva de imalê, que significa muçulmano em iorubá. Participaram cerca de 600 combatentes, que deixaram a cidade em polvorosa por algumas horas. Durante o combate, mais de setenta rebeldes e cerca de uma dúzia de oponentes foram mortos. Vencidos, dezenas de africanos foram condenados a penas de açoite, prisão, degredo e morte. Não sabemos detalhes do que pretendiam os rebeldes, se vitoriosos. Certo era que a Bahia malê seria uma nação controlada pelos africanos, tendo à frente os muçulmanos. De toda maneira, não foi um levante sem direção, fruto do desespero, mas um movimento dirigido à tomada do poder”.
(Disponível em: ¡/¿ https://www.historia.uff.br/impressoesrebeldes/revolta/revolta-dos-males/ ¡/¿. Acesso em 1 nov. 2025).
A partir do contexto histórico elaborado, considerando as questdes sécio-politicas do Brasil imperial oitocentista, marque a alternativa correspondente:
De acordo com o website (historia.uff.br) da Universidade Federal Fluminense, reservado para arquivamento e popularização de documentos, artefatos e relíquias importantes da história do Brasil, em 25 de janeiro de 1835, foi encontrado um pequeno livro amarrado junto ao pescoço de um “rebelde” morto durante a Insurreição dos Malês na Província da Bahia (1821-1891), atualmente cidade do Salvador. O livro pertence ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (IHGB). Ainda no website é possível ler o seguinte texto: “Na madrugada de 25 de janeiro de 1835 aconteceu em Salvador uma rebelião organizada por muçulmanos, principalmente de origem iorubá, chamados nagôs na Bahia. A predominância nagô foi traduzida no nome dado ao movimento: Revolta dos Malês, pois o termo malê deriva de imalê, que significa muçulmano em iorubá. Participaram cerca de 600 combatentes, que deixaram a cidade em polvorosa por algumas horas. Durante o combate, mais de setenta rebeldes e cerca de uma dúzia de oponentes foram mortos. Vencidos, dezenas de africanos foram condenados a penas de açoite, prisão, degredo e morte. Não sabemos detalhes do que pretendiam os rebeldes, se vitoriosos. Certo era que a Bahia malê seria uma nação controlada pelos africanos, tendo à frente os muçulmanos. De toda maneira, não foi um levante sem direção, fruto do desespero, mas um movimento dirigido à tomada do poder”.
(Disponível em: ¡/¿ https://www.historia.uff.br/impressoesrebeldes/revolta/revolta-dos-males/ ¡/¿. Acesso em 1 nov. 2025).
A partir do contexto histórico elaborado, considerando as questdes sécio-politicas do Brasil imperial oitocentista, marque a alternativa correspondente: