A doutrina cristã do Logos, que se desenvolveu a partir do século II da nossa Era, manifesta o esforço
intelectual de ler a filosofia grega a partir da doutrina do Deus Uno e Trino e configurar os elementos da
sabedoria helênica sobre uma finalidade, um télos, que orienta as disposições e as ordens do mundo com a fé
que identificava em Cristo o Verbo, a Palavra pelo qual Deus, o ser imaterial, imortal, transcendente, agia de
maneira providente na História. O mundo é aparente e transitório diferentemente de Deus, que não estando
subjugado a nenhuma dessas condições, as assumiu como consequência da Encarnação. Seja no
pensamento filosófico que estabelece o Nous como inteligência ordenadora, seja no pensamento do Logos, a
Palavra que revela o Deus presente na História – filosofias distintas não apenas pelas épocas, mas pelas
implicações que carregam –, há dois elementos que as tornam convergentes entre os filósofos cristãos e os
gregos, segundo o pensamento de Justino apresentado na sua Apologia: