Estávamos pintados como se fôssemos para a guerra.
Várias bocas, dentes e sorrisos, mas um coração pulsava
na esperança por avanços para a garantia dos direitos dos
povos indígenas. Olhavam-nos como se fôssemos seres
de outro planeta, certos de desconhecer seu próprio
país. Os olhos brilhavam como as estrelas e essa emoção
se misturava ao cheiro do café, na cantina ao lado, aos
desenhos indígenas e ao cheiro de pintura de jenipapo na
cara, ao cheiro do óleo da castanha-do-pará e ao cheiro do
vermelho urucum dos Kaiapó.
POTIGUARA, Eliane. Metade cara, metade máscara.
Lorena: DM Projetos Especiais, 2018.
Eliana Potiguara é escritora indígena contemporânea.
A
partir dessa informação e no que diz respeito ao texto e aos
seus aspectos estéticos, julgue o item a seguir.