Comunicar ainda é um ato humano
Vivemos um tempo paradoxal: nunca foi tão fácil produzir
conteúdo, mas nunca foi tão difícil produzir sentido. Em
meio a textos automatizados e narrativas guiadas por
algoritmos, surge uma questão essencial: o que
acontece quando delegamos às máquinas não apenas a
forma, mas a intenção do que comunicamos? O risco
central não é a substituição do humano, mas o
esvaziamento do significado.
Sem intenção consciente, a comunicação se transforma
em mero estímulo eficiente, porém vazio. Quando
sistemas decidem o que deve emocionar ou convencer,
perde-se a responsabilidade sobre o porquê da
mensagem. Onde não há intenção humana, há o perigo
da manipulação disfarçada de inovação.
Nesse cenário, comunicar exige ética. Não basta
dominar ferramentas tecnológicas; é preciso usá-las para
ampliar a consciência, não para anestesiá-la. A
inteligência artificial reflete valores e visões de mundo de
quem a cria, mas carece de um elemento insubstituível:
a consciência ética humana.
A IA pode ampliar e organizar vozes, mas não cria
intenção. A intenção é o núcleo da comunicação. Criar e
comunicar continuam sendo atos humanos profundos,
encontros entre consciência e linguagem. A tecnologia
pode amplificar, mas apenas o humano decide o que
merece ser dito.
Texto Adaptado
MCSILL, James. Comunicar ainda é um ato humano. Hoje em Dia,
[s.l.], [s.d.]. Disponível em:
https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/comunicar-ainda-e-um-at
o-humano-1.1097630 . Acesso em: 16 dez. 2025.
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