O pensamento político do filósofo paduano Marsílio, na sua obra O Defensor da Paz, antecipa em alguns
séculos a reflexão política sobre a necessidade da centralidade do poder para configurar o governo na forma
de um Estado. Para o autor, o elemento estruturante dessa configuração do poder é a constituição do Reino
mediante as suas partes, sendo o governo a parts principans (a parte principal) da qual todas as outras
extraem a sua natureza, inclusive o poder religioso. Só é possível a um Reino estabelecer-se em vista da sua
finalidade se o poder nele exercido for unificado e centralizado em torno da sua causa final, que é a paz.
Assim, o Rei governa em vista da finalidade própria e exigida pela razão para haver um governo e as partes
subordinadas a esse poder, não intervindo nas relações que não competem à sua natureza, mas
constituindo-se em harmonia e obediência ao governante