Leia o Texto I, a seguir, trecho do conto “Rolézim”, de Geovani Martins.
TEXTO I
Acordei tava ligado o maçarico! Sem neurose, não era nem nove da manhã e minha caxanga parecia que tava derretendo. Não dava nem mais pra ver as infiltração na sala, tava tudo seco. Só ficou as mancha: a santa, a pistola e o dinossauro. Já tava dado que o dia ia ser daqueles que tu anda na rua e vê o céu todo embaçado, tudo se mexendo que nem alucinação. Pra tu ter uma ideia, até o vento que vinha do ventilador era quente, que nem o bafo do capeta.
Tinha dois conto em cima da mesa, que minha coroa deixou pro pão. Arrumasse mais um e oitenta, já garantia pelo menos uma passagem, só precisava meter calote na ida, que é mais tranquilo. Foda é que já tinha revirado a casa toda antes de dormir, catando moedas pra comprar um varejo. Bagulho era investir os dois conto no pão, divulgar um café e partir pra praia de barriga forrada. O que não dava era pra ficar fritando dentro de casa. Calote pra nós é lixo, tu tá ligado, o desenrolo é forte.
Fonte: MARTINS, Geovani. O sol na cabeça: contos. São Paulo: Companhia das Letas, 2018.
Analise as afirmações acerca do Texto I.
I. O foco narrativo está em terceira pessoa e são notáveis os erros de português, dificultando o entendimento do texto.
II. O narrador em primeira pessoa demonstra, a partir de sua linguagem informal e cheia de gírias, as marcas textuais comuns ao seu universo social.
III. O autor do texto, Geovani Martins, é o narrador do conto literário e, pelo trecho apresentado, fica evidente que ele não domina a linguagem culta, o que leva a uma produção textual pobre e cheia de vícios que não deveriam figurar na boa literatura.
IV. O texto apresenta diversos trechos em linguagem conotativa, com uso recorrente de figuras de linguagem.
Assinale a alternativa CORRETA.