Magna Concursos
4003187 Ano: 2025
Disciplina: Sociologia
Banca: UECE
Orgão: UECE
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“Enquanto as gangues e quadrilhas de traficantes se moviam em territórios estáticos, e enquanto cada grupo dominava seu pedaço, matando sem mexer no pedaço do outro, as facções invadem, matam, ocupam e expulsam moradores de suas casas. Os líderes de gangues e os traficantes locais sempre tiveram um peso dentro da comunidade, mas sua capacidade de agência era limitada, e as negociações com eles eram consideradas como algo “tranquilo”. Em muitas comunidades, prevaleciam apenas os acordos tácitos de não delação dos esquemas ilegais. Desde as facções, esse equilíbrio foi quebrado, e os moradores relatam que as pessoas que fazem o crime querem “botar moral” e determinar o que pode e não pode ser feito na comunidade. [...]. É possível hoje falar de uma socialização pela violência que, desde os tempos das gangues, perdura como meio de fazer o crime e, consequentemente, fazer a própria vida nas periferias de Fortaleza. Obviamente, existem muitas outras coisas que compõem as periferias da cidade. Isso não impede de observar, entretanto, que o homicídio não é um elemento estranho a pessoas que sofrem e praticam crimes cruéis contra a própria população com a qual compartilham as dores e os sofrimentos sociais. [...]. Por isso, acredito que existe algo de insurgente no fenômeno das facções, mas também profundas conexões com as modalidades de dominação que impõem o governo dos mais pobres para geração de variadas maneiras de cooperação, atualizando discriminações, desigualdades e injustiças em larga escala.”

PAIVA, Luíz Fábio S. “Aqui não tem gangue, tem facção”: as transformações sociais do crime em Fortaleza. Cadernos CRH, Salvador, v. 32, nº 85, p. 165-184, jan/abr 2019.

Considerando esse enunciado, assinale a afirmação verdadeira.
 

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