“Enquanto as gangues e quadrilhas de traficantes se
moviam em territórios estáticos, e enquanto cada grupo
dominava seu pedaço, matando sem mexer no pedaço do outro,
as facções invadem, matam, ocupam e expulsam moradores de
suas casas. Os líderes de gangues e os traficantes locais sempre
tiveram um peso dentro da comunidade, mas sua capacidade de
agência era limitada, e as negociações com eles eram
consideradas como algo “tranquilo”. Em muitas comunidades,
prevaleciam apenas os acordos tácitos de não delação dos
esquemas ilegais. Desde as facções, esse equilíbrio foi quebrado,
e os moradores relatam que as pessoas que fazem o crime
querem “botar moral” e determinar o que pode e não pode ser
feito na comunidade. [...]. É possível hoje falar de uma
socialização pela violência que, desde os tempos das gangues,
perdura como meio de fazer o crime e, consequentemente, fazer
a própria vida nas periferias de Fortaleza. Obviamente, existem
muitas outras coisas que compõem as periferias da cidade. Isso
não impede de observar, entretanto, que o homicídio não é um
elemento estranho a pessoas que sofrem e praticam crimes
cruéis contra a própria população com a qual compartilham as
dores e os sofrimentos sociais. [...]. Por isso, acredito que existe
algo de insurgente no fenômeno das facções, mas também
profundas conexões com as modalidades de dominação que
impõem o governo dos mais pobres para geração de variadas
maneiras de cooperação, atualizando discriminações, desigualdades e injustiças em larga escala.”
PAIVA, Luíz Fábio S. “Aqui não tem gangue, tem facção”: as transformações sociais do crime em Fortaleza. Cadernos CRH, Salvador, v. 32, nº 85, p. 165-184, jan/abr 2019.
Considerando esse enunciado, assinale a afirmação verdadeira.
PAIVA, Luíz Fábio S. “Aqui não tem gangue, tem facção”: as transformações sociais do crime em Fortaleza. Cadernos CRH, Salvador, v. 32, nº 85, p. 165-184, jan/abr 2019.
Considerando esse enunciado, assinale a afirmação verdadeira.
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