Um ensino de língua portuguesa remodelado?
Mais recentemente, com a publicação, em 2018, da
Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento federal
orientador dos currículos estaduais e dos currículos
municipais de todo o país, consolidou-se o ensino de língua
portuguesa com base nos gêneros discursivos, resultado da
influência do fortalecimento da área dos estudos do discurso
no ensino-aprendizagem da língua materna.
Inicialmente, porém, os gêneros são entendidos na
escola de modo análogo ao que se fazia, em tempos
anteriores, com as sequências textuais (em uma tradição
antiga, restritas a narrativas, descritivas e argumentativas).
Foca-se, assim, no ensino da estrutura composicional do
gênero, tanto na produção da escrita quanto na realização
da leitura. Espera-se que o aluno classifique textos dentro da
estrutura de determinado gênero e que produza
determinado gênero seguindo um modelo pré-apresentado.
Novamente, a normatividade pouco reflexiva entra em cena:
se antes prevalecia o enquadramento da língua nas lições de
metalinguagem e classificação gramatical, agora tal
normatividade parece submeter-se à estrutura do gênero.
Fonte: GIL, Beatriz Daruj; MÓDOLO, Marcelo. Algumas
reflexões sobre o ensino da língua portuguesa no Brasil —
Adaptado.