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3937858 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: QUADRIX
Orgão: SEE-DF
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As órfãs faziam sinal-da-cruz, iam arranjar marido bom ou então uns desdentados, trolocutores surdos, bêbados, lobo nas ovelhas, caminho de espinhos, azemel de estrebaria, mulo namorado, fosse o que fosse, desde que dissesse: Senhora, quereis companhia? Ordenara a rainha que seriam uns gentilhomens. Uma panela de comida num canto, meti as mãos e tirei um pedaço do guisado frio, comi numa ânsia de nunca ter sentido assim, tudo o que se havia preparado para umas mais três bocas, fome é um tipo de fogo que se acende no meio das gentes, que se ateia com tanto ímpeto que até os olhos ardem e resseca tudo por dentro e vai sendo uma faca que revira o dentro como se buscando o fio da vida e em nosso rosto se forma um diabólico labirinto, sonhamos com feiras e que se comeria um rato da lama, é fome feito um monstro que assenta em nosso ventre e nos rasga estripando, com suas garras longas, língua asquerosa de lagarta, se branqueteia de nós, sugando nossa força e nossa razão, que perdemos de arrazoar e fracas estimativas, é como cem anos de inferno, uma dor incomparável, uma coisa tão lastimosa de se sentir que não há homem que a possa dissimular. Por medo da fome, da orfandade, do abandono, quis que tornasse Francisco de Albuquerque. MIRANDA, Ana. Desmundo. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. 
Em “Desmundo”, de Ana Miranda, Oribela, órfã portuguesa enviada ao Brasil em 1555 para se casar com um colono, revela-se um contexto de violência. A partir dessa informação, em relação ao texto, aos seus aspectos estéticos e aos movimentos literários brasileiros, julgue o iten a seguir.
Além da manifestação estética da linguagem presente no trecho, a experiência humana do medo descrito pela personagem denuncia a realidade, o que marca também a presença da função social da literatura.
 

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