A questão se refere ao texto abaixo.
Mariana desceu pouco depois das três horas, o porteiro estava encostado na grande porta de vidro, olhando as pessoas que passavam, os carros e os aviões, os navios e os cachorros que cheiravam floreiras e cantos de parede. Fingiu que apanhava qualquer coisa no chão e espiou sob a borda do degrau. Nada. Foi um pouco além, voltou e subiu novamente. Repetiu muitas vezes a manobra e lá estava a pedra vazia de sinal. Ficou a passear nervosa, Cássio podia aparecer de um momento para outro, a encontraria sem ser preciso gastar lápis-cera, sairiam os dois de mãos dadas, a tarde estava sem vento, os carros prosseguiam na sua faina interminável de ir e de vir, como se não tivessem um destino certo. Mais uma volta e nada do sinal combinado.
Cássio não viria mais, alguma coisa dentro de seu coração lhe dizia isso, olhava confrangida para os casais de namorados que andavam pela rua, abraçados, muito juntos, trocando beijos, indiferentes aos passantes, às velhas que estacavam e se escandalizavam diante da cena.
Por fim decidiu subir, escreveria uma carta havia muito devida a uma colega que seguira por um ano para Nova York, pensou até em desabafar para ela, contar tudo, pedir conselhos, descrever Cássio da cabeça aos pés.
Mas quando subiu encontrou a mãe sentada lendo um livro sob a lâmpada que fora colocada a um canto da sala especialmente para ela, os seus cabelos pareciam mais claros e dourados, os traços de antiga beleza.
A mãe fechou o livro depois de marcar a página com uma tira de seda azul, presente de Mariana num dia distante: diga lá dentro o que você quer jantar, há salada pronta na geladeira, mande passar um filé, quem sabe um caldo quente, tenho a impressão de que a minha filha está emagrecendo, anda com a fisionomia abatida. Fez uma pausa, rodou a cadeira e perguntou: por que ele não telefona mais? Surpresa, Mariana exclamou: eu mesma não sei, simplesmente ele disse que não ia telefonar mais, a gente nunca consegue saber direito das pessoas e depois é o rapaz mais estranho que encontrei em toda a minha vida.
Adaptado de: GUIMARÃES, J. É tarde para saber. Porto Alegre: L&PM, 2011.
Assinale a alternativa que apresenta a versão gramaticalmente correta do trecho é o rapaz mais estranho que encontrei em toda a minha vida (em azul), se a forma verbal encontrei fosse substituída por gostei.