Foram encontradas 120 questões.
Sem espelho falante
A vida em Estouros, povoado a 290 km de Belo Horizonte, segue um ritmo que parece eterno. Não é necessário relógio. Acorda-se com o raiar do Sol e dorme-se quando as estrelas começam a surgir. Os homens trabalham a terra e as mulheres cuidam da casa e dos filhos. Nas refeições, as famílias se alimentam daquilo que a terra lhes devolve. Os jornais só aparecem para embrulhar encomenda. Estouros é um lugar sem aquele eletrodoméstico que ocupa o lugar central na residência da maioria dos brasileiros — um aparelho de TV. O que é a TV?
O menino Carlos , 10 anos, sete irmãos criados por um lavrador, que todos os dias caminha 12 km para ir à escola e voltar, explica: “É uma caixa de som com um espelho na frente.” O irmão mais velho, Wilson, já viu TV nas redondezas. Mas, se pudesse, Wilson não compraria um aparelho. Uma égua de 3 anos teria maior utilidade: “Eu descansaria das pernas. A gente anda sempre a pé ou no caminhão do leite.” Wilson assistiu à exibição de um programa de reportagens ao vivo e ficou de olhos esbugalhados. Não se conforma até hoje: “A gente vê batida de carro, roubo”, espanta-se. “Aqui não tem nada disso. Tem bandido que mata a pessoa à toa. Aqui a gente mata porco. E para comer.”
É mesmo estranha a vida sem o espelho falante do pequeno morador. Serra Velha, em Santa Catarina, com 300 habitantes e 60 casas, é um povoado encravado em uma montanha e seu acesso é restrito a uma única estrada. Ali nunca se ouviu falar do pacote do ministro da Fazenda. Tampouco de Roberto Carlos ou Pelé. O ídolo naquelas paragens é o professor Santanor, único na região, proprietário de uma caminhonete que faz 30 km por hora como velocidade máxima. Pessoa mais bem informada da cidade, o professor não sabe o nome do cidadão que exerce o cargo de presidente da República.
Esse país indiferente à passagem do tempo, mais pobre e menos confortável, mas pacífico, integra uma das mais bem-sucedidas utopias nacionais. A do Brasil rural, de pessoa s simples e valores estabelecidos, de pequenos heróis e pequenos vilões naturais em qualquer parte. É um país delicioso de ver e explorar, como descobriram as novelas rurais que a TV produz e eles não vêem. Mas é uma utopia urbana achar que o povo desses lugares quer ficar assim. TV é eletricidade , eletricidade é progresso e não há como preferir um lampião de querosene a uma lâmpada, nem é possível achar que o cidadão que não sabe o nome do presidente é mais feliz do que aquele capaz de recitar a lista de todos os ocupantes do Planalto de 1964 para cá.
Há seis meses, em Lagoa do Oscar, lugarejo do interior de Minas, correu o boato de que, enfim, os postes de luz chegariam ao local. Foi um alvoroço. O roceiro Domingos, um senhor já de meia-idade, percorreu 110 km apenas para fazer uma troca. Entregou uma espingarda nova para um muambeiro, que lhe deu uma TV portátil trazida do Paraguai. O roceiro aguardou quatro meses pela luz. Como ela não veio, vendeu a TV para um caminhoneiro. Mas não desistiu. “As crianças só falam do dia em que terão uma TV em casa”, diz.
Com 3.000 moradores, a 700 km de Salvador, Muquém é outro exemplo. Ali não existe luz elétrica, água encanada nem rede de esgoto. Mas tem TV. Um aparelho, de propriedade da prefeitura, ligado a um gerador a óleo dísel. Todos os dias, um funcionário pega o televisor de 20 polegadas em um barraco onde ele fica trancado e o transporta até a praça da cidade. Ali, cercada com arames farpados, a TV fica ligada das 6 da tarde até às 11 da noite. Até o prefeito acha um absurdo. “É um luxo gastar dinheiro com isso”, reconhece. Mas não há alternativa. Desde que a TV foi instalada, no final de 1991, é sucesso absoluto. Nos dias normais, reúne 30 pessoas na praça. Em grandes momentos, passa de 80.
Veja, 5/1/1994 (com adaptações).
O item seguinte apresentam adaptações de passagens dos parágrafos do texto, na ordem em que estes se apresentam. Julgue-o quanto à correção gramatical.
Em Estouros, um povoado há 290 quilômetros de Belo Horizonte, não é necessário relógio, por que as pessoas acordam com o raiar do Sol e dormem quando as estrelas começam a surgir.
Provas
Sem espelho falante
A vida em Estouros, povoado a 290 km de Belo Horizonte, segue um ritmo que parece eterno. Não é necessário relógio. Acorda-se com o raiar do Sol e dorme-se quando as estrelas começam a surgir. Os homens trabalham a terra e as mulheres cuidam da casa e dos filhos. Nas refeições, as famílias se alimentam daquilo que a terra lhes devolve. Os jornais só aparecem para embrulhar encomenda. Estouros é um lugar sem aquele eletrodoméstico que ocupa o lugar central na residência da maioria dos brasileiros — um aparelho de TV. O que é a TV?
O menino Carlos , 10 anos, sete irmãos criados por um lavrador, que todos os dias caminha 12 km para ir à escola e voltar, explica: “É uma caixa de som com um espelho na frente.” O irmão mais velho, Wilson, já viu TV nas redondezas. Mas, se pudesse, Wilson não compraria um aparelho. Uma égua de 3 anos teria maior utilidade: “Eu descansaria das pernas. A gente anda sempre a pé ou no caminhão do leite.” Wilson assistiu à exibição de um programa de reportagens ao vivo e ficou de olhos esbugalhados. Não se conforma até hoje: “A gente vê batida de carro, roubo”, espanta-se. “Aqui não tem nada disso. Tem bandido que mata a pessoa à toa. Aqui a gente mata porco. E para comer.”
É mesmo estranha a vida sem o espelho falante do pequeno morador. Serra Velha, em Santa Catarina, com 300 habitantes e 60 casas, é um povoado encravado em uma montanha e seu acesso é restrito a uma única estrada. Ali nunca se ouviu falar do pacote do ministro da Fazenda. Tampouco de Roberto Carlos ou Pelé. O ídolo naquelas paragens é o professor Santanor, único na região, proprietário de uma caminhonete que faz 30 km por hora como velocidade máxima. Pessoa mais bem informada da cidade, o professor não sabe o nome do cidadão que exerce o cargo de presidente da República.
Esse país indiferente à passagem do tempo, mais pobre e menos confortável, mas pacífico, integra uma das mais bem-sucedidas utopias nacionais. A do Brasil rural, de pessoa s simples e valores estabelecidos, de pequenos heróis e pequenos vilões naturais em qualquer parte. É um país delicioso de ver e explorar, como descobriram as novelas rurais que a TV produz e eles não vêem. Mas é uma utopia urbana achar que o povo desses lugares quer ficar assim. TV é eletricidade , eletricidade é progresso e não há como preferir um lampião de querosene a uma lâmpada, nem é possível achar que o cidadão que não sabe o nome do presidente é mais feliz do que aquele capaz de recitar a lista de todos os ocupantes do Planalto de 1964 para cá.
Há seis meses, em Lagoa do Oscar, lugarejo do interior de Minas, correu o boato de que, enfim, os postes de luz chegariam ao local. Foi um alvoroço. O roceiro Domingos, um senhor já de meia-idade, percorreu 110 km apenas para fazer uma troca. Entregou uma espingarda nova para um muambeiro, que lhe deu uma TV portátil trazida do Paraguai. O roceiro aguardou quatro meses pela luz. Como ela não veio, vendeu a TV para um caminhoneiro. Mas não desistiu. “As crianças só falam do dia em que terão uma TV em casa”, diz.
Com 3.000 moradores, a 700 km de Salvador, Muquém é outro exemplo. Ali não existe luz elétrica, água encanada nem rede de esgoto. Mas tem TV. Um aparelho, de propriedade da prefeitura, ligado a um gerador a óleo dísel. Todos os dias, um funcionário pega o televisor de 20 polegadas em um barraco onde ele fica trancado e o transporta até a praça da cidade. Ali, cercada com arames farpados, a TV fica ligada das 6 da tarde até às 11 da noite. Até o prefeito acha um absurdo. “É um luxo gastar dinheiro com isso”, reconhece. Mas não há alternativa. Desde que a TV foi instalada, no final de 1991, é sucesso absoluto. Nos dias normais, reúne 30 pessoas na praça. Em grandes momentos, passa de 80.
Veja, 5/1/1994 (com adaptações).
A comunicação humana pode ser entendida como o processo de transferência e compreensão de mensagem. Com relação a esse assunto e a partir das idéias do texto, julgue o item que se segue.
Tanto para os moradores das regiões referidas, quanto para o autor do texto, o valor maior da televisão consiste em apresentar a realidade de uma forma utópica que, apesar de nem sempre ser positiva, alimenta o imaginário das pessoas, proporcionando, assim, prazer e conhecimento.
Provas
Sem espelho falante
A vida em Estouros, povoado a 290 km de Belo Horizonte, segue um ritmo que parece eterno. Não é necessário relógio. Acorda-se com o raiar do Sol e dorme-se quando as estrelas começam a surgir. Os homens trabalham a terra e as mulheres cuidam da casa e dos filhos. Nas refeições, as famílias se alimentam daquilo que a terra lhes devolve. Os jornais só aparecem para embrulhar encomenda. Estouros é um lugar sem aquele eletrodoméstico que ocupa o lugar central na residência da maioria dos brasileiros — um aparelho de TV. O que é a TV?
O menino Carlos , 10 anos, sete irmãos criados por um lavrador, que todos os dias caminha 12 km para ir à escola e voltar, explica: “É uma caixa de som com um espelho na frente.” O irmão mais velho, Wilson, já viu TV nas redondezas. Mas, se pudesse, Wilson não compraria um aparelho. Uma égua de 3 anos teria maior utilidade: “Eu descansaria das pernas. A gente anda sempre a pé ou no caminhão do leite.” Wilson assistiu à exibição de um programa de reportagens ao vivo e ficou de olhos esbugalhados. Não se conforma até hoje: “A gente vê batida de carro, roubo”, espanta-se. “Aqui não tem nada disso. Tem bandido que mata a pessoa à toa. Aqui a gente mata porco. E para comer.”
É mesmo estranha a vida sem o espelho falante do pequeno morador. Serra Velha, em Santa Catarina, com 300 habitantes e 60 casas, é um povoado encravado em uma montanha e seu acesso é restrito a uma única estrada. Ali nunca se ouviu falar do pacote do ministro da Fazenda. Tampouco de Roberto Carlos ou Pelé. O ídolo naquelas paragens é o professor Santanor, único na região, proprietário de uma caminhonete que faz 30 km por hora como velocidade máxima. Pessoa mais bem informada da cidade, o professor não sabe o nome do cidadão que exerce o cargo de presidente da República.
Esse país indiferente à passagem do tempo, mais pobre e menos confortável, mas pacífico, integra uma das mais bem-sucedidas utopias nacionais. A do Brasil rural, de pessoa s simples e valores estabelecidos, de pequenos heróis e pequenos vilões naturais em qualquer parte. É um país delicioso de ver e explorar, como descobriram as novelas rurais que a TV produz e eles não vêem. Mas é uma utopia urbana achar que o povo desses lugares quer ficar assim. TV é eletricidade , eletricidade é progresso e não há como preferir um lampião de querosene a uma lâmpada, nem é possível achar que o cidadão que não sabe o nome do presidente é mais feliz do que aquele capaz de recitar a lista de todos os ocupantes do Planalto de 1964 para cá.
Há seis meses, em Lagoa do Oscar, lugarejo do interior de Minas, correu o boato de que, enfim, os postes de luz chegariam ao local. Foi um alvoroço. O roceiro Domingos, um senhor já de meia-idade, percorreu 110 km apenas para fazer uma troca. Entregou uma espingarda nova para um muambeiro, que lhe deu uma TV portátil trazida do Paraguai. O roceiro aguardou quatro meses pela luz. Como ela não veio, vendeu a TV para um caminhoneiro. Mas não desistiu. “As crianças só falam do dia em que terão uma TV em casa”, diz.
Com 3.000 moradores, a 700 km de Salvador, Muquém é outro exemplo. Ali não existe luz elétrica, água encanada nem rede de esgoto. Mas tem TV. Um aparelho, de propriedade da prefeitura, ligado a um gerador a óleo dísel. Todos os dias, um funcionário pega o televisor de 20 polegadas em um barraco onde ele fica trancado e o transporta até a praça da cidade. Ali, cercada com arames farpados, a TV fica ligada das 6 da tarde até às 11 da noite. Até o prefeito acha um absurdo. “É um luxo gastar dinheiro com isso”, reconhece. Mas não há alternativa. Desde que a TV foi instalada, no final de 1991, é sucesso absoluto. Nos dias normais, reúne 30 pessoas na praça. Em grandes momentos, passa de 80.
Veja, 5/1/1994 (com adaptações).
A comunicação humana pode ser entendida como o processo de transferência e compreensão de mensagem. Com relação a esse assunto e a partir das idéias do texto, julgue o item que se segue.
O quarto parágrafo do texto, embora tenha natureza dissertativa, diferentemente dos três anteriores e dos dois posteriores, em que s e sobrepõem a descrição e a narração, não pode, a princípio, constituir um trecho de relatório técnico.
Provas
Sem espelho falante
A vida em Estouros, povoado a 290 km de Belo Horizonte, segue um ritmo que parece eterno. Não é necessário relógio. Acorda-se com o raiar do Sol e dorme-se quando as estrelas começam a surgir. Os homens trabalham a terra e as mulheres cuidam da casa e dos filhos. Nas refeições, as famílias se alimentam daquilo que a terra lhes devolve. Os jornais só aparecem para embrulhar encomenda. Estouros é um lugar sem aquele eletrodoméstico que ocupa o lugar central na residência da maioria dos brasileiros — um aparelho de TV. O que é a TV?
O menino Carlos , 10 anos, sete irmãos criados por um lavrador, que todos os dias caminha 12 km para ir à escola e voltar, explica: “É uma caixa de som com um espelho na frente.” O irmão mais velho, Wilson, já viu TV nas redondezas. Mas, se pudesse, Wilson não compraria um aparelho. Uma égua de 3 anos teria maior utilidade: “Eu descansaria das pernas. A gente anda sempre a pé ou no caminhão do leite.” Wilson assistiu à exibição de um programa de reportagens ao vivo e ficou de olhos esbugalhados. Não se conforma até hoje: “A gente vê batida de carro, roubo”, espanta-se. “Aqui não tem nada disso. Tem bandido que mata a pessoa à toa. Aqui a gente mata porco. E para comer.”
É mesmo estranha a vida sem o espelho falante do pequeno morador. Serra Velha, em Santa Catarina, com 300 habitantes e 60 casas, é um povoado encravado em uma montanha e seu acesso é restrito a uma única estrada. Ali nunca se ouviu falar do pacote do ministro da Fazenda. Tampouco de Roberto Carlos ou Pelé. O ídolo naquelas paragens é o professor Santanor, único na região, proprietário de uma caminhonete que faz 30 km por hora como velocidade máxima. Pessoa mais bem informada da cidade, o professor não sabe o nome do cidadão que exerce o cargo de presidente da República.
Esse país indiferente à passagem do tempo, mais pobre e menos confortável, mas pacífico, integra uma das mais bem-sucedidas utopias nacionais. A do Brasil rural, de pessoa s simples e valores estabelecidos, de pequenos heróis e pequenos vilões naturais em qualquer parte. É um país delicioso de ver e explorar, como descobriram as novelas rurais que a TV produz e eles não vêem. Mas é uma utopia urbana achar que o povo desses lugares quer ficar assim. TV é eletricidade , eletricidade é progresso e não há como preferir um lampião de querosene a uma lâmpada, nem é possível achar que o cidadão que não sabe o nome do presidente é mais feliz do que aquele capaz de recitar a lista de todos os ocupantes do Planalto de 1964 para cá.
Há seis meses, em Lagoa do Oscar, lugarejo do interior de Minas, correu o boato de que, enfim, os postes de luz chegariam ao local. Foi um alvoroço. O roceiro Domingos, um senhor já de meia-idade, percorreu 110 km apenas para fazer uma troca. Entregou uma espingarda nova para um muambeiro, que lhe deu uma TV portátil trazida do Paraguai. O roceiro aguardou quatro meses pela luz. Como ela não veio, vendeu a TV para um caminhoneiro. Mas não desistiu. “As crianças só falam do dia em que terão uma TV em casa”, diz.
Com 3.000 moradores, a 700 km de Salvador, Muquém é outro exemplo. Ali não existe luz elétrica, água encanada nem rede de esgoto. Mas tem TV. Um aparelho, de propriedade da prefeitura, ligado a um gerador a óleo dísel. Todos os dias, um funcionário pega o televisor de 20 polegadas em um barraco onde ele fica trancado e o transporta até a praça da cidade. Ali, cercada com arames farpados, a TV fica ligada das 6 da tarde até às 11 da noite. Até o prefeito acha um absurdo. “É um luxo gastar dinheiro com isso”, reconhece. Mas não há alternativa. Desde que a TV foi instalada, no final de 1991, é sucesso absoluto. Nos dias normais, reúne 30 pessoas na praça. Em grandes momentos, passa de 80.
Veja, 5/1/1994 (com adaptações).
A comunicação humana pode ser entendida como o processo de transferência e compreensão de mensagem. Com relação a esse assunto e a partir das idéias do texto, julgue o item que se segue.
Deduz-se, pela explicação de Wilson, nas linhas de 5 a 9, que o animal tem mais utilidade que a televisão, uma vez que esta apresenta cenas de violência que não são relevantes nem educativas aos jovens moradores da zona rural.
Provas
Sem espelho falante
A vida em Estouros, povoado a 290 km de Belo Horizonte, segue um ritmo que parece eterno. Não é necessário relógio. Acorda-se com o raiar do Sol e dorme-se quando as estrelas começam a surgir. Os homens trabalham a terra e as mulheres cuidam da casa e dos filhos. Nas refeições, as famílias se alimentam daquilo que a terra lhes devolve. Os jornais só aparecem para embrulhar encomenda. Estouros é um lugar sem aquele eletrodoméstico que ocupa o lugar central na residência da maioria dos brasileiros — um aparelho de TV. O que é a TV?
O menino Carlos , 10 anos, sete irmãos criados por um lavrador, que todos os dias caminha 12 km para ir à escola e voltar, explica: “É uma caixa de som com um espelho na frente.” O irmão mais velho, Wilson, já viu TV nas redondezas. Mas, se pudesse, Wilson não compraria um aparelho. Uma égua de 3 anos teria maior utilidade: “Eu descansaria das pernas. A gente anda sempre a pé ou no caminhão do leite.” Wilson assistiu à exibição de um programa de reportagens ao vivo e ficou de olhos esbugalhados. Não se conforma até hoje: “A gente vê batida de carro, roubo”, espanta-se. “Aqui não tem nada disso. Tem bandido que mata a pessoa à toa. Aqui a gente mata porco. E para comer.”
É mesmo estranha a vida sem o espelho falante do pequeno morador. Serra Velha, em Santa Catarina, com 300 habitantes e 60 casas, é um povoado encravado em uma montanha e seu acesso é restrito a uma única estrada. Ali nunca se ouviu falar do pacote do ministro da Fazenda. Tampouco de Roberto Carlos ou Pelé. O ídolo naquelas paragens é o professor Santanor, único na região, proprietário de uma caminhonete que faz 30 km por hora como velocidade máxima. Pessoa mais bem informada da cidade, o professor não sabe o nome do cidadão que exerce o cargo de presidente da República.
Esse país indiferente à passagem do tempo, mais pobre e menos confortável, mas pacífico, integra uma das mais bem-sucedidas utopias nacionais. A do Brasil rural, de pessoa s simples e valores estabelecidos, de pequenos heróis e pequenos vilões naturais em qualquer parte. É um país delicioso de ver e explorar, como descobriram as novelas rurais que a TV produz e eles não vêem. Mas é uma utopia urbana achar que o povo desses lugares quer ficar assim. TV é eletricidade , eletricidade é progresso e não há como preferir um lampião de querosene a uma lâmpada, nem é possível achar que o cidadão que não sabe o nome do presidente é mais feliz do que aquele capaz de recitar a lista de todos os ocupantes do Planalto de 1964 para cá.
Há seis meses, em Lagoa do Oscar, lugarejo do interior de Minas, correu o boato de que, enfim, os postes de luz chegariam ao local. Foi um alvoroço. O roceiro Domingos, um senhor já de meia-idade, percorreu 110 km apenas para fazer uma troca. Entregou uma espingarda nova para um muambeiro, que lhe deu uma TV portátil trazida do Paraguai. O roceiro aguardou quatro meses pela luz. Como ela não veio, vendeu a TV para um caminhoneiro. Mas não desistiu. “As crianças só falam do dia em que terão uma TV em casa”, diz.
Com 3.000 moradores, a 700 km de Salvador, Muquém é outro exemplo. Ali não existe luz elétrica, água encanada nem rede de esgoto. Mas tem TV. Um aparelho, de propriedade da prefeitura, ligado a um gerador a óleo dísel. Todos os dias, um funcionário pega o televisor de 20 polegadas em um barraco onde ele fica trancado e o transporta até a praça da cidade. Ali, cercada com arames farpados, a TV fica ligada das 6 da tarde até às 11 da noite. Até o prefeito acha um absurdo. “É um luxo gastar dinheiro com isso”, reconhece. Mas não há alternativa. Desde que a TV foi instalada, no final de 1991, é sucesso absoluto. Nos dias normais, reúne 30 pessoas na praça. Em grandes momentos, passa de 80.
Veja, 5/1/1994 (com adaptações).
A comunicação humana pode ser entendida como o processo de transferência e compreensão de mensagem. Com relação a esse assunto e a partir das idéias do texto, julgue o item que se segue.
Depreende-se do texto que, devido ao baixo poder aquisitivo das populações apresentadas, o processo de compreensão de mensagens orais entre os moradores é prejudicado.
Provas
No planejamento gráfico de determinado material informativo, a equipe de profissionais definiu a utilização de duas cores que, sobrepostas, podem resultar em uma terceira. Uma das razões que leva ram a essa decisão foi de ordem econômica, tendo em vista que cada cor corresponde a um custo. As cores escolhidas foram especificadas pelo sistema Pantone®.
Considerando a situação hipotética acima, a reprodução gráfica em cores e as características dos processos de impressão, julgue o item subseqüente.
Mesmo que o material gráfico informativo, após a impressão, tenha de ser reproduzido em cópias xerográficas, jornais ou fax, será desnecessário fazer testes para saber se as cores escolhidas traduzem-se bem para o preto-e-branco, pois a escala objeto da escolha — Pantone® — garante a boa qualidade das eventuais cópias em preto-e-branco do material impresso em cores.
Provas
O bom assessor de imprensa apresenta a informação de maneira embalada, prêt-à-porter, pronta para uso ou, pelo menos, para facilitar o trabalho da redação. Ele sabe que jornalista normalmente atua sob pressão de prazos, de concorrência e dos superiores e possui complicados mecanismos de avaliação e seleção do que será notícia e a té tem dificuldade de explicar os critérios que determinam as escolhas, os chamados valores-notícia. As fontes de informação do jornalista são diversificadas, fluidas. Sua s opções de seleção, apuração e edição dos assuntos misturam política editorial do veículo, criatividade, percepção e gosto pessoal, facilidade de produção e desafio profissional. Ao conhecer e entender os sistemas de produção da notícia nos diferentes meios de comunicação e veículos, o assessor (sobretudo se é um jornalista que passou por redações) passa a ter mais chances de interferir no processo, oferecendo pautas e informações adaptadas a cada um.
Jorge Duarte. In: Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia — teoria e técnica. São Paulo: Atlas, 2002, p. 290 (com adaptações).
No texto acima, o autor trata das qualidades que precisam ser levadas em conta na produção do release . Nesse sentido, e considerando as práticas de assessoria, as rotinas produtivas e os critérios de noticiabilidade, julgue o item.
Valem para o release os mesmos critérios de seleção de informação: interesse e anormalidade; imprevisibilidade e atualidade; proximidade física ou afetiva; quantidade e poder multiplicador.
Provas
O bom assessor de imprensa apresenta a informação de maneira embalada, prêt-à-porter, pronta para uso ou, pelo menos, para facilitar o trabalho da redação. Ele sabe que jornalista normalmente atua sob pressão de prazos, de concorrência e dos superiores e possui complicados mecanismos de avaliação e seleção do que será notícia e a té tem dificuldade de explicar os critérios que determinam as escolhas, os chamados valores-notícia. As fontes de informação do jornalista são diversificadas, fluidas. Sua s opções de seleção, apuração e edição dos assuntos misturam política editorial do veículo, criatividade, percepção e gosto pessoal, facilidade de produção e desafio profissional. Ao conhecer e entender os sistemas de produção da notícia nos diferentes meios de comunicação e veículos, o assessor (sobretudo se é um jornalista que passou por redações) passa a ter mais chances de interferir no processo, oferecendo pautas e informações adaptadas a cada um.
Jorge Duarte. In: Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia — teoria e técnica. São Paulo: Atlas, 2002, p. 290 (com adaptações).
No texto acima, o autor trata das qualidades que precisam ser levadas em conta na produção do release . Nesse sentido, e considerando as práticas de assessoria, as rotinas produtivas e os critérios de noticiabilidade, julgue o item.
Nesta era tecnológica, o release está fadado ao desaparecimento, sendo substituído por novas formas de comunicação direta com os públicos.
Provas
O bom assessor de imprensa apresenta a informação de maneira embalada, prêt-à-porter, pronta para uso ou, pelo menos, para facilitar o trabalho da redação. Ele sabe que jornalista normalmente atua sob pressão de prazos, de concorrência e dos superiores e possui complicados mecanismos de avaliação e seleção do que será notícia e a té tem dificuldade de explicar os critérios que determinam as escolhas, os chamados valores-notícia. As fontes de informação do jornalista são diversificadas, fluidas. Sua s opções de seleção, apuração e edição dos assuntos misturam política editorial do veículo, criatividade, percepção e gosto pessoal, facilidade de produção e desafio profissional. Ao conhecer e entender os sistemas de produção da notícia nos diferentes meios de comunicação e veículos, o assessor (sobretudo se é um jornalista que passou por redações) passa a ter mais chances de interferir no processo, oferecendo pautas e informações adaptadas a cada um.
Jorge Duarte. In: Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia — teoria e técnica. São Paulo: Atlas, 2002, p. 290 (com adaptações).
No texto acima, o autor trata das qualidades que precisam ser levadas em conta na produção do release . Nesse sentido, e considerando as práticas de assessoria, as rotinas produtivas e os critérios de noticiabilidade, julgue o item.
Os principais atributos do release são interesse público, novidade, disponibilidade da informação, exclusividade e adequação.
Provas
O bom assessor de imprensa apresenta a informação de maneira embalada, prêt-à-porter, pronta para uso ou, pelo menos, para facilitar o trabalho da redação. Ele sabe que jornalista normalmente atua sob pressão de prazos, de concorrência e dos superiores e possui complicados mecanismos de avaliação e seleção do que será notícia e a té tem dificuldade de explicar os critérios que determinam as escolhas, os chamados valores-notícia. As fontes de informação do jornalista são diversificadas, fluidas. Sua s opções de seleção, apuração e edição dos assuntos misturam política editorial do veículo, criatividade, percepção e gosto pessoal, facilidade de produção e desafio profissional. Ao conhecer e entender os sistemas de produção da notícia nos diferentes meios de comunicação e veículos, o assessor (sobretudo se é um jornalista que passou por redações) passa a ter mais chances de interferir no processo, oferecendo pautas e informações adaptadas a cada um.
Jorge Duarte. In: Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia — teoria e técnica. São Paulo: Atlas, 2002, p. 290 (com adaptações).
No texto acima, o autor trata das qualidades que precisam ser levadas em conta na produção do release . Nesse sentido, e considerando as práticas de assessoria, as rotinas produtivas e os critérios de noticiabilidade, julgue o item.
O release deve ser genérico o suficiente para despertar o interesse de qualquer uma das editorias de um veículo de comunicação.
Provas
Caderno Container