Foram encontradas 183 questões.
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FADECIT
Orgão: Pref. Arantina-MG
O Município de Arantina está localizado a aproximadamente 360 km da capital do Estado de Minas Gerais.
Marque V para as alternativas Verdadeiras e F para as alternativas Falsas:
| A | Pertence a microrregião do sul/sudoeste do Estado de Minas Gerais. | |
| B | No censo de 2013 (IBGE), sua população era de 2.888 habitantes. | |
| C | O Município ocupa uma área de 89,383 km2 e foi emancipado pela Lei Estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962. | |
| D | Aproximadamente, 60% (sessenta por cento) de sua população está concentrada na área urbana do Município. |
Marque a alternativa:
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Um cão, apenas
Cecília Meireles
Subidos, de ânimo leve e descansado passo, os quarenta degraus do jardim – plantas em flor, de cada lado; borboletas incertas; salpicos de luz no granito – , eis-me no patamar. E a meus pés, no áspero capacho de coco, à frescura da cal do pórtico, um cãozinho triste interrompe o seu sono, levanta a cabeça e fita-me. É um triste cãozinho doente, com o corpo ferido; gastas, as mechas brancas do pelo; o olhar dorido e profundo, com esse lustro de lágrima que há nos olhos das pessoas muito idosas. Com um grande esforço acaba de levantar-se. Eu não lhe digo nada; não faço nenhum gesto. Envergonha-me haver interrompido o seu sono. Se ele estava feliz ali, eu não devia ter chegado. Já que lhe faltavam tantas coisas, que ao menos dormisse: também os animais devem esquecer, enquanto dormem...
Ele, porém, levantava-se e olhava-me. Levantava-se com a dificuldade dos enfermos graves: acomodando as patas da frente, o resto do corpo, sempre com os olhos em mim, como à espera de uma palavra ou de um gesto. Mas eu não o queria vexar nem oprimir. Gostaria de ocupar-me dele: chamar alguém, pedir-lhe que o examinasse, que receitasse, encaminhá-lo para um tratamento... Mas tudo é longe, meu Deus, tudo é tão longe. E era preciso passar. E ele estava na minha frente inábil, como envergonhado de se achar tão sujo e doente, com o envelhecido olhar numa espécie de súplica.
Até o fim da vida guardarei seu olhar no meu coração. Até o fim da vida sentirei esta humana infelicidade de nem sempre poder socorrer, neste complexo mundo dos homens.
Então, o triste cãozinho reuniu todas as suas forças, atravessou o patamar, sem nenhuma dúvida sobre o caminho, como se fosse um visitante habitual, e começou a descer as escadas e suas rampas, com as plantas em flor de cada lado, as borboletas incertas, salpicos de luz no granito, até o limiar da entrada. Passou por entre as grades do portão, prosseguiu para o lado esquerdo, desapareceu.
Ele ia descendo como um velhinho andrajoso, esfarrapado, de cabeça baixa, sem firmeza e sem destino. Era, no entanto, uma forma da vida. Uma criatura deste mundo de criaturas inumeráveis. Esteve ao meu alcance; talvez tivesse fome e sede: e eu nada fiz por ele; amei-o, apenas, com uma caridade inútil, sem qualquer expressão concreta. Deixei-o partir, assim humilhado, e tão digno, no entanto: como alguém que respeitosamente pede desculpas de ter ocupado um lugar que não era seu.
Depois pensei que nós todos somos, um dia, esse cãozinho triste, à sombra de uma porta. E há o dono da casa, e a escada que descemos, e a dignidade final da solidão.
(inéditos – crônicas. Rio de Janeiro, Bloch, 1967.p.19-20.)
“Afirmam alguns psicólogos que as pessoas ao se auto-elogiarem revelam complexo de inferioridade.”
Complexo, no contexto acima, significa:
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Era uma vez seu Candinho.
Vizinhos de cerca, colegas de escola, vagos parentes.
Seu Porfírio, briguento como ele só.
Brigava com os parentes por causa de heranças, brigava com os vizinhos por causa de limites de terras, brigava até com os filhos por causa de dinheiro.
Seu Candinho, o contrário.
Amigo de todo mundo, resolvia seus problemas com conversas, com prosa, com jeitinho.
Um dia seu Candinho recebeu uma herança de um parente afastado.
Seu Porfírio ficou morrendo de inveja. Começou a falar mal de seu Candinho a todo mundo:
- Bonzinho? Pois sim! Estes são os piores...
Seu Candinho fez que não sabia e foi vivendo.
E cada vez seu Porfírio ficava com mais raiva de seu Candinho.
Então seu Porfírio inventou que o riacho que passava pela duas fazendas era dele só e desviou o curso do riacho. Seu Candinho ficou sem água.
Aí seu Candinho ficou zangado.
Procurou o advogado dele, doutor Alex, e mandou uma ação em cima de seu Porfírio.
A demanda se arrastou, com uns tais de embargos, e umas tais de ações suspensivas, umas tais de peritagens, uns tais de recursos, até que o julgamento foi marcado.
Seu Candinho foi procurar o advogado:
- Seu doutor, o senhor não achava bom se a gente mandasse aí uns perus pro seu juiz? Será que não facilitava as coisas?
O advogado botou a mão na cabeça:
- Que é isso, seu Candinho? O juiz é o doutor Honório, o juiz mais severo do Estado! Se o senhor manda um presente pra ele, ele é capaz de dar ganho ao seu Porfírio só pra mostrar como ele é honesto...
Seu Candinho saiu dali pensando...
No dia do julgamento estava todo mundo nervoso. Menos seu Candinho:
- Não se preocupem, nós vamos ganhar. Podem ter certeza... Não carece de ninguém ficar nervoso...
O julgamento foi rápido e realmente seu Candinho ganhou.
Seu Porfírio foi condenado a pagar um dinheirão ao seu Candinho e ainda teve de voltar o rio pra onde ele estava.
Seu Candinho deu uma bruta festa pra comemorar.
E então, com um sorriso muito malandro, ele perguntou ao doutor Alex:
- Viu como foi bom mandar uns perus pro juiz?
- O quê? O senhor mandou os perus pro juiz?
- Mandei sim, doutor, mandei sim. Só que eu mandei no nome do seu Porfírio...
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Era uma vez seu Candinho.
Vizinhos de cerca, colegas de escola, vagos parentes.
Seu Porfírio, briguento como ele só.
Brigava com os parentes por causa de heranças, brigava com os vizinhos por causa de limites de terras, brigava até com os filhos por causa de dinheiro.
Seu Candinho, o contrário.
Amigo de todo mundo, resolvia seus problemas com conversas, com prosa, com jeitinho.
Um dia seu Candinho recebeu uma herança de um parente afastado.
Seu Porfírio ficou morrendo de inveja. Começou a falar mal de seu Candinho a todo mundo:
- Bonzinho? Pois sim! Estes são os piores...
Seu Candinho fez que não sabia e foi vivendo.
E cada vez seu Porfírio ficava com mais raiva de seu Candinho.
Então seu Porfírio inventou que o riacho que passava pela duas fazendas era dele só e desviou o curso do riacho. Seu Candinho ficou sem água.
Aí seu Candinho ficou zangado.
Procurou o advogado dele, doutor Alex, e mandou uma ação em cima de seu Porfírio.
A demanda se arrastou, com uns tais de embargos, e umas tais de ações suspensivas, umas tais de peritagens, uns tais de recursos, até que o julgamento foi marcado.
Seu Candinho foi procurar o advogado:
- Seu doutor, o senhor não achava bom se a gente mandasse aí uns perus pro seu juiz? Será que não facilitava as coisas?
O advogado botou a mão na cabeça:
- Que é isso, seu Candinho? O juiz é o doutor Honório, o juiz mais severo do Estado! Se o senhor manda um presente pra ele, ele é capaz de dar ganho ao seu Porfírio só pra mostrar como ele é honesto...
Seu Candinho saiu dali pensando...
No dia do julgamento estava todo mundo nervoso. Menos seu Candinho:
- Não se preocupem, nós vamos ganhar. Podem ter certeza... Não carece de ninguém ficar nervoso...
O julgamento foi rápido e realmente seu Candinho ganhou.
Seu Porfírio foi condenado a pagar um dinheirão ao seu Candinho e ainda teve de voltar o rio pra onde ele estava.
Seu Candinho deu uma bruta festa pra comemorar.
E então, com um sorriso muito malandro, ele perguntou ao doutor Alex:
- Viu como foi bom mandar uns perus pro juiz?
- O quê? O senhor mandou os perus pro juiz?
- Mandei sim, doutor, mandei sim. Só que eu mandei no nome do seu Porfírio...
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