Foram encontradas 80 questões.
LINGUAGEM E PRECONCEITO
Antonio Carlos Prado
Preconceito é como cacoete, é feito tique nervoso, igual a vício: ainda que o preconceituoso negue que o possua ou que viva em um País que estruturalmente deixa os pretos sem ar, o preconceito está lá, sempre lá, interiorizado e à espera de um mínimo de descuido da consciência para mostrar as garras de ato falho, que é o desejo que brota do inconsciente.
Fala-se, aqui, do preconceito racial, mas mudemos um pouco de área a título para bem exemplificar. Houve um tempo em que no interior do Brasil não se pronunciava a palavra câncer — acreditava-se que daria azar, e então dizia-se fulano está com a "doença ruim". Pouca gente, mas pouca gente mesmo, seguia convivendo com o portador da ―doença ruim‖, porque a ignorância levava indivíduos a crer que o câncer era transmissível. A mesma coisa ocorreu com o HIV, que recebeu dos ignorantes, no início de sua manifestação pelo mundo, o discriminatório apelido de "peste gay" — e não faltou ser humano (ser humano?) a se negar a dar a mão a soropositivos, acreditando que o vírus podia "saltar" de um corpo para o outro. O que se quer demonstrar é o seguinte: a linguagem pode servir de embute e de embuste a preconceitos.
Pois bem, de volta ao que nos move nesse artigo, que é o racismo, a ignorância citada acima se iguala a fala de quem diz: "eu não tenho nada contra gente de cor"; "O Brasil não é racista, não tem preconceito em relação ao pessoal de cor". Ao pronunciar essa expressão, "de cor", corrosiva da alma e da dignidade humanas, a pessoa já está sendo racista no próprio momento em que fala que não carrega o racismo. Sob um olhar psicanalítico e antropológico, essa é a mesma interiorização (perversa interiorização) dos casos da "peste gay" e da "doença ruim".
Seja devido à falta de um amplo repertório de conhecimento, seja por carência de entendimento histórico de uma nação, seja por negação identitária, seja por arrogância mesmo, nada disso abranda, não justifica e nem perdoa o racismo. Jamais! Para preconceituosos, de qualquer ordem, não há desculpas nem relativizações — e eles devem ser rigorosamente punidos pela Justiça. O preconceito é a negação da espécie humana. É a negação da vida. É a negação da ciência. É a negação de Deus.
Recentemente, no criminoso episódio em que seguranças brancos do Carrefour massacraram e assassinaram a sangue frio o cidadão negro Beto Freitas, uma autoridade do Brasil, quatro estrelas, valeu-se duas vezes da expressão "de cor", enquanto dizia que no País não há racismo. É deplorável. O que é de cor é lápis de cor! Preto é gente! Preto é gente que respira quando o deixam respirar! Preto é gente preta!
Cada vez que alguém fala "de cor", ouve-se um chicote a riscar de vermelho o preto de uma pele.
Adaptado de https://istoe.com.br/linguagem-e-preconceito/ acesso em 15 de dezembro de 2020.
No segundo parágrafo do texto, apesar de tratar do racismo como preconceito, o autor “muda um pouco de área” e traz exemplos. Esse procedimento funciona como:
Provas
LINGUAGEM E PRECONCEITO
Antonio Carlos Prado
Preconceito é como cacoete, é feito tique nervoso, igual a vício: ainda que o preconceituoso negue que o possua ou que viva em um País que estruturalmente deixa os pretos sem ar, o preconceito está lá, sempre lá, interiorizado e à espera de um mínimo de descuido da consciência para mostrar as garras de ato falho, que é o desejo que brota do inconsciente.
Fala-se, aqui, do preconceito racial, mas mudemos um pouco de área a título para bem exemplificar. Houve um tempo em que no interior do Brasil não se pronunciava a palavra câncer — acreditava-se que daria azar, e então dizia-se fulano está com a "doença ruim". Pouca gente, mas pouca gente mesmo, seguia convivendo com o portador da ―doença ruim‖, porque a ignorância levava indivíduos a crer que o câncer era transmissível. A mesma coisa ocorreu com o HIV, que recebeu dos ignorantes, no início de sua manifestação pelo mundo, o discriminatório apelido de "peste gay" — e não faltou ser humano (ser humano?) a se negar a dar a mão a soropositivos, acreditando que o vírus podia "saltar" de um corpo para o outro. O que se quer demonstrar é o seguinte: a linguagem pode servir de embute e de embuste a preconceitos.
Pois bem, de volta ao que nos move nesse artigo, que é o racismo, a ignorância citada acima se iguala a fala de quem diz: "eu não tenho nada contra gente de cor"; ―O Brasil não é racista, não tem preconceito em relação ao pessoal de cor". Ao pronunciar essa expressão, ―de cor", corrosiva da alma e da dignidade humanas, a pessoa já está sendo racista no próprio momento em que fala que não carrega o racismo. Sob um olhar psicanalítico e antropológico, essaé a mesma interiorização (perversa interiorização) dos casos da "peste gay" e da "doença ruim".
Seja devido à falta de um amplo repertório de conhecimento, seja por carência de entendimento histórico de uma nação, seja por negação identitária, seja por arrogância mesmo, nada disso abranda, não justifica e nem perdoa o racismo. Jamais! Para preconceituosos, de qualquer ordem, não há desculpas nem relativizações — e eles devem ser rigorosamente punidos pela Justiça. O preconceito é a negação da espécie humana. É a negação da vida. É a negação da ciência. É a negação de Deus.
Recentemente, no criminoso episódio em que seguranças brancos do Carrefour massacraram e assassinaram a sangue frio o cidadão negro Beto Freitas, uma autoridade do Brasil, quatro estrelas, valeu-se duas vezes da expressão ―de cor‖, enquanto dizia que no País não há racismo. É deplorável. O que é de cor é lápis de cor! Preto é gente! Preto é gente que respira quando o deixam respirar! Preto é gente preta!
Cada vez que alguém fala "de cor", ouve-se um chicote a riscar de vermelho o preto de uma pele.
Adaptado de https://istoe.com.br/linguagem-e-preconceito/ acesso em 15 de
dezembro de 2020.
Considere o texto “Linguagem e preconceito”, de Antonio Carlos Prado, publicado na Revista IstoÉ, no dia 27 de novembro de 2020 e marque a ÚNICA alternativa INCORRETA em relação ao preconceito, tal como é mostrado pelo autor:
Provas
O homem trocado
O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos.
Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia.
Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes.
Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico.
Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.) site https://www.portugues.com.br/literatura/luis-fernando-verissimo.html
Quanto à regência verbal o verbo sublinhado no período “O senhor não faz chamadas interurbanas?” Classifica-se como:
Provas
O homem trocado
O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos.
Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia.
Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes.
Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico.
Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.) site https://www.portugues.com.br/literatura/luis-fernando-verissimo.html
No período “O homem acorda da anestesia e olha em volta”, a oração sublinhada classifica-se como:
Provas
O homem trocado
O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos.
Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia.
Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes.
Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico.
Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.) site https://www.portugues.com.br/literatura/luis-fernando-verissimo.html
O texto “Homem trocado”, de Luís Fernando Veríssimo, quanto à tipologia classifica-se como e se caracteriza por verbos que indicam .
Provas
O homem trocado
O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos.
Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia.
Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes.
Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico.
Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.) site https://www.portugues.com.br/literatura/luis-fernando-verissimo.html
Todos os encontros sublinhados são dígrafos em:
Provas
O homem trocado
O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos.
Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia.
Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes.
Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico.
Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.) site https://www.portugues.com.br/literatura/luis-fernando-verissimo.html
A alternativa em que todas as palavras são acentuadas por serem proparoxítonas é:
Provas
O homem trocado
O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos.
Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia.
Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes.
Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico.
Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.) site https://www.portugues.com.br/literatura/luis-fernando-verissimo.html
No período “E conta que os enganos começaram com seu nascimento”, a oração sublinhada classifica-se quanto à sintaxe da oração como:
Provas
O homem trocado
O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos.
Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia.
Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes.
Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico.
Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.) site https://www.portugues.com.br/literatura/luis-fernando-verissimo.html
Marque a alternativa correta em relação à classificação das expressões sublinhadas quanto à sintaxe da oração, na sentença “Na escola, vivia recebendo castigo”.
Provas
O homem trocado
O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos.
Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia.
Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes.
Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico.
Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.) site https://www.portugues.com.br/literatura/luis-fernando-verissimo.html
O texto de Luís Fernando Verissimo é humorístico e isso significa, prioritariamente:
Provas
Caderno Container